Na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos realizaram ataques militares de grande escala contra a Venezuela, atingindo alvos na capital, Caracas, e em outros estados, numa operação que culminou — segundo o presidente americano Donald Trump — na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido levados para fora do país sob custódia americana.
A ofensiva, marcada por explosões e aeronaves voando a baixa altitude, foi anunciada por Trump em uma rede social nas primeiras horas do dia, descrita por ele como um “grande ataque bem-sucedido” e uma resposta a acusações de narcotráfico e “crimes” atribuídos ao governo venezuelano.
Governos latino-americanos, europeus e organizações internacionais reagiram com chocante preocupação e forte condenação, classificando o episódio como uma violação sem precedentes da soberania venezuelana e do direito internacional. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os ataques e a captura de Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável”, caracterizando-os como uma afronta grave à soberania e ao multilateralismo, além de generarem um precedente perigoso para a ordem global.
O presidente Lula convocou convocou uma reunião emergencial e assim como outros países latinos americanos, pediu a convocação do Conselho de Segurança da ONU e ações vigorosas da Organização das Nações Unidas diante do episódio. A Rússia e Turquia, entre outros europeus também exigiram a urgência desta convocação.
Pelo lado venezuelano, o governo denunciou a operação como agressão militar imperialista, decretou estado de emergência nacional e mobilizou seus planos de defesa, afirmando que o ataque constitui uma “violação flagrante” da Carta da ONU, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a soberania de um Estado sem autorização do Conselho de Segurança ou outra justificativa legal.
Caracas declarou que a ação dos EUA ameaça a paz e a estabilidade tanto na Venezuela quanto em toda a América Latina e que os objetivos reais seriam apoderar-se dos recursos estratégicos, especialmente petróleo e minerais, contrariando o direito do povo venezuelano de decidir seu próprio destino.
O impacto político e militar dessa ofensiva é imenso. Analistas lembram que nunca antes na história recente um ataque desta natureza — com uma operação militar direta pela Força Delta e a captura do líder de um país soberano — havia sido perpetrado pelos Estados Unidos na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989. Essa operação inova pelo caráter de ataque direto a um país vizinho sem uma resolução clara de organismos multilaterais e sem uma justificativa aceita universalmente no direito internacional, o que representa um rompimento drástico com as normas que há décadas regem as relações entre Estados no Hemisfério.
A reação da comunidade internacional tem sido diversa, mas majoritariamente contrária à intervenção. Países como Colômbia e Cuba condenaram o ataque e pediram que a comunidade internacional responda com urgência aos eventos. Enquanto isso, alguns líderes — como o presidente argentino Javier Milei — expressaram apoio às ações dos EUA, afirmando que a queda de Maduro representa uma “vitória da liberdade”. Essa divisão evidencia que a crise pode aprofundar tensões regionais já existentes e colocar fronteiras ideológicas à prova, num momento em que o direito à autodeterminação dos povos e os princípios de não-intervenção se veem seriamente ameaçados.
Militares venezuelanos leais ao governo de Maduro apontaram que a resistência à ofensiva será firme, e ao longo do dia relatos ainda desencontrados falavam sobre mobilização nacional e possíveis confrontos. A incerteza sobre o paradeiro real de Maduro e de Cilia Flores — o governo venezuelano, na pessoa da vice-presidente Delcy Rodriguez, exigiu “prova de vida” imediata — alimenta ainda mais a tensão dentro e fora do país.
Especialistas em relações internacionais já indicam que essa ação pode desencadear uma crise de proporções imprevisíveis na região, estimulando debates sobre o papel das grandes potências, a preservação da soberania dos Estados e os limites do uso da força no sistema internacional. Enquanto os Estados Unidos defendem que agiram em nome da justiça contra um regime que consideram ilegítimo e criminoso, muitos governos e organizações veem o ataque como uma perigosa escalada de imperialismo militar, cujo efeito de longo prazo pode ser instabilidade contínua, maior polarização geopolítica e riscos humanitários para a população venezuelana e seus vizinhos.
A América Latina está em guerra.
Eli Mariotti
A América Latina está em guerra.
Eli Mariotti
