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“Foi apenas um aniversário”, disse Efraim Filho ao explicar a fotografia em que aparece ao lado do advogado Willer Tomaz, citado nas investigações do caso do INSS. A frase pode explicar a fotografia, mas não explica a política. E é justamente aí que está o debate.

Efraim escolheu seu campo. É senador pelo PL, legenda do bolsonarismo, e lançou-se candidato ao Governo da Paraíba com o apoio de figuras como Flávio Bolsonaro. Essa escolha política permite ao eleitor perguntar não apenas quem estava numa festa, mas que projeto de poder está sendo oferecido à Paraíba.

O debate é especialmente importante quando se observa a relação da política brasileira com o dinheiro público. Emendas parlamentares se transformaram em uma das principais moedas de poder do Congresso, enquanto investigações recentes continuam revelando suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos. O problema não é exclusivo de um partido, mas é impossível ignorar a presença recorrente de figuras do bolsonarismo e do Centrão nesses episódios.

É aí que aparece uma contradição que precisa ser enfrentada: para o cidadão pobre, a receita apresentada muitas vezes é a meritocracia — trabalhar mais, estudar mais e vencer pelo próprio esforço. Para a política profissional, entretanto, existe uma disputa permanente por emendas, verbas públicas, cargos e influência.

Que meritocracia é essa?

A Paraíba é um estado que ainda precisa de políticas públicas para reduzir desigualdades, ampliar o acesso à educação e à saúde, gerar oportunidades e permitir que milhares de jovens tenham condições reais de construir um futuro. Não existe meritocracia quando pessoas começam a vida em condições completamente diferentes. Antes de cobrar mérito, é preciso garantir oportunidade.

E é justamente nesse ponto que o discurso bolsonarista entra em choque com a realidade de um estado pobre e desigual. Políticas sociais não são privilégios. São instrumentos para que o cidadão possa estudar, trabalhar, empreender e conquistar autonomia.

O problema, portanto, não é simplesmente Efraim ter aparecido em uma fotografia. Ele tem todo o direito de escolher seus aliados. Mas, ao escolher o PL e o campo bolsonarista, precisa também responder pelo projeto político que representa, explicar todas as emendas que encaminhadas por ele, explicar porque suas companhias preferenciais são investigadas em crimes graves contra o erário.

A Paraíba precisa discutir se quer um Estado comprometido com redução das desigualdades, políticas sociais e desenvolvimento ou se aceitará uma política baseada na guerra cultural, no preconceito, no discurso de meritocracia para os pobres e, ao mesmo tempo, na disputa permanente pelos recursos públicos, melhor dizendo, apropriação do dinheiro público e dos aposentados

Em tese uma fotografia dura um instante, não é o caso desta.

O voto do eleitor, porém, pode definir o futuro de um estado inteiro.

O eleitor escolhe se quer ser governado pela corrupção ou pelo desenvolvimento e justiça social.

Eli Mariotti
Foto:IA/Photoshop   

Existe uma pergunta que o PT da Paraíba precisa enfrentar, mesmo que prefira não fazê-lo: o que fará o eleitor de esquerda quando chegar à urna e perceber que o partido ao qual historicamente entrega seu voto não lhe ofereceu, na disputa pelo Governo do Estado, uma candidatura que represente aquilo que entende como um projeto progressista?

A pergunta ganhou força depois que o PT paraibano confirmou apoio a Lucas Ribeiro para o Governo, ao mesmo tempo em que reafirmou João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo como seus candidatos ao Senado. A própria direção partidária precisou explicar a aparente contradição entre a ata da convenção, que registrou Nabor Wanderley na composição, e a posição política posteriormente reafirmada em favor de João e Veneziano.

Formalmente, a questão está explicada. Politicamente, entretanto, permanece aberta.

Para o do eleitorado progressista do estado, a eleição de 2026 produziu uma situação desconfortável. O partido de Lula está aliado ao candidato que representa a continuidade do atual grupo governista, mas Lucas Ribeiro, do Progressistas, é percebido por esse eleitor como um político de centro, e não como alguém identificado com a esquerda. Sua relação com João Azevêdo e sua participação na atual gestão podem representar continuidade administrativa, mas continuidade administrativa não significa, necessariamente, identidade ideológica.

Esse detalhe é importante para quem vota em Lula.

O eleitor de esquerda não vota apenas em siglas ou alianças. Procura também alguma coerência entre o projeto nacional que apoia e o projeto estadual que pretende escolher. E é justamente aí que surge o desconforto.

Do outro lado, também não encontra uma alternativa natural. Cícero Lucena, embora esteja na oposição ao grupo governista, é igualmente percebido por setores progressistas como um político de centro-direita e mantém alianças com forças que se aproximam do bolsonarismo. Para esse eleitor, portanto, trocar Lucas por Cícero não significa necessariamente encontrar uma candidatura mais próxima de suas convicções.

Nabor Wanderley tampouco oferece essa identificação. Candidato do Republicanos ao Senado e pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, está inserido justamente no universo político que boa parte da militância de esquerda associa ao Centrão.

O resultado é uma espécie de vazio eleitoral.

O eleitor progressista pode não querer votar em Lucas porque não o considera suficientemente identificado com a esquerda; pode não querer Cícero porque o enxerga como igualmente distante de seu campo político; e certamente pode não se sentir representado pelo universo político de Nabor.

No Senado, entretanto, a situação é diferente.

João Azevêdo e Veneziano são os dois nomes que o PT paraibano reafirmou como candidatos prioritários. A posição coincide com a orientação da direção nacional do partido e com o apoio declarado de Lula. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, já havia afirmado que o presidente apoiaria João e Veneziano na disputa pelas duas vagas.

Para o eleitor progressista, portanto, existe uma distinção clara: no Senado, há dois nomes que o próprio PT apresenta como aliados prioritários de Lula; no Governo, há um candidato que parte de sua própria base não identifica como pertencente ao campo da esquerda.

Daí pode surgir uma consequência eleitoral perfeitamente possível: o eleitor votar em João e Veneziano para o Senado e, ao chegar ao Governo, não escolher nenhum dos candidatos.

Não necessariamente por querer beneficiar a oposição. Mas por não encontrar uma alternativa que represente sua identidade política.

O voto nulo, nesse contexto, pode ser entendido por esse eleitor como uma manifestação de insatisfação com a ausência de uma candidatura ao Governo capaz de representar aquilo que considera um projeto progressista.

Essa possibilidade deveria preocupar o PT porque o partido corre o risco de confundir fidelidade à legenda com fidelidade automática às alianças construídas por sua direção.

O eleitor de esquerda pode ser fiel a Lula sem ser obrigado a ser fiel a todas as escolhas feitas pelo PT nos Estados. Pode votar em Lula para presidente, em João e Veneziano para o Senado e, ainda assim, deixar a escolha para governador em branco ou nula.

A política brasileira já mostrou diversas vezes que o eleitor não necessariamente reproduz na urna a fotografia dos palanques. Ele pode construir sua própria chapa.

A Paraíba oferece um exemplo particularmente complexo disso.

O Republicanos decidiu nacionalmente pela neutralidade na disputa presidencial, mas Hugo Motta anunciou apoio à reeleição de Lula na Paraíba. Isso produz uma situação curiosa: Hugo Motta pode estar com Lula na eleição presidencial, Nabor pode estar no campo governista e Lucas pode ser apoiado pelo PT ao Governo, mas Lula não apresenta Nabor como um de seus dois candidatos prioritários ao Senado.

As alianças, portanto, não se reproduzem automaticamente entre os diferentes cargos.

E se os partidos podem estabelecer alianças diferentes para presidente, governador e Senado, por que o eleitor deveria ser obrigado a reproduzi-las integralmente na urna?

Essa talvez seja a pergunta mais incômoda para o PT paraibano.

Durante anos, o PT construiu sua identidade eleitoral em torno de uma ideia relativamente simples: existe um campo político progressista e existe um campo conservador ou liberal, e o eleitor precisa escolher de que lado está.

Em 2026, entretanto, a própria estratégia partidária estadual embaralha essas fronteiras. Para a direção partidária, pode ser uma engenharia necessária, mas para o eleitor, apenas parece perda de identidade.

E é nesse espaço entre a necessidade de fazer política e a necessidade de preservar identidade que o PT corre o risco de perder não necessariamente votos para adversários, mas algo mais silencioso: a disposição de sua própria base de seguir as orientações partidárias.

A eleição para o Senado demonstra que a identidade política ainda funciona. João Azevêdo e Veneziano foram apresentados pelo PT como os dois nomes prioritários de Lula. Ali, a mensagem é direta.

O eleitor de esquerda pode, então, acabar diante de uma escolha que não deseja fazer, que é quando nenhuma alternativa parece representar aquilo que se procura, o voto nulo deixa de ser apenas ausência de escolha e pode se transformar numa decisão consciente de não legitimar nenhuma delas.

É preciso reconhecer, entretanto, a consequência objetiva: voto nulo não elege ninguém e não altera diretamente a disputa entre os candidatos. Se essa estratégia ganhar força entre eleitores progressistas, pode acabar beneficiando indiretamente quem vencer a eleição com os votos válidos.

Só que reconhecer essa consequência não elimina a insatisfação que pode estar por trás da decisão. E é justamente por isso que o PT tem que prestar atenção ao que está acontecendo.

Porque esmagadora parcela do eleitorado que se identifica com Lula e com a esquerda pode estar chegando a uma conclusão incômoda: na eleição para o Senado, sabe exatamente em quem pretende votar; na eleição para o Governo, não há ninguém que considere verdadeiramente seu.

E, se essa percepção se consolidar, o maior problema do PT não será necessariamente perder votos para um adversário. Será perder a capacidade de dizer ao próprio eleitor por que ele deveria continuar seguindo o partido quando a urna o coloca diante de alianças que já não parecem caber dentro da mesma identidade política.

Para finalizar, continuo batendo na mesma tecla, Se o PT e sua Federação na Paraíba quiserem unificar a maior parte dos votos dos eleitores progressistas em torno da candidatura governista, precisavam ter disputado sem aceitar um não como resposta, a presença na chapa majoritária, especialmente na vaga de vice-governador. Mas não houve essa dedicação por parte da direção.

Uma secretaria bastou.

A presença de um nome progressista, com identidade política, credibilidade e participação efetiva na construção de um eventual próximo governo, não resolverá inteiramente o desconforto desse eleitor. Mas poderia diminuir a distância entre a identidade histórica do PT e a aliança que o partido construiu para 2026. Mais do que ocupar um cargo, seria uma forma de oferecer ao eleitor de esquerda uma razão política para continuar acreditando que, dentro da aliança, também existe espaço para o projeto que ele defende.

Mas pelo jeito, Lucas Ribeiro já decidiu por uma chapa com a cara do Centrão.

Eli Mariotti

Foto: PBAgora   

O debate entre Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho mostrou uma coisa que pode ser decisiva nesta eleição: Lucas tem muito governo para mostrar, mas boa parte desse governo foi construída quando a caneta estava na mão de João Azevêdo.

E esse é o paradoxo da candidatura.

Lucas não está começando do zero. Pelo contrário. Ele chega à eleição como sucessor de uma administração que tem obras, investimentos, programas e entregas para apresentar em praticamente todas as regiões da Paraíba. Foi vice-governador durante boa parte desse período e assumiu o Governo do Estado em abril deste ano, depois da saída de João para disputar o Senado.

Portanto, Lucas tem todo o direito político de defender esse legado.

Mas existe uma diferença entre ter participado do governo e ser o autor das decisões que produziram suas principais entregas.

E é justamente aí que seus adversários vão apertar.

Quando Lucas apresentar uma obra, Cícero e Efraim poderão perguntar: quem decidiu? Quem assinou? Quem estava no Palácio quando aquilo foi planejado, contratado e executado?

A resposta, na maioria das vezes, será João Azevêdo.

Isso não diminui a participação de Lucas como vice-governador nem sua ligação com o projeto. Mas muda a maneira como o eleitor pode enxergar a disputa.

Lucas não pode simplesmente dizer que fez.

João Azevêdo, além do gigantesco legado que herdou de Ricardo Coutinho, também construiu uma marca administrativa própria. Foi ele quem comandou o Executivo durante a maior parte do período em que essas políticas foram planejadas e executadas. Mesmo assim, o próprio governo chegou a apresentar a sucessão como uma continuidade, com João afirmando que mudaria o governador, mas o governo seria o mesmo.

Mas esse patrimônio tem a assinatura de João, que por sua vez herdou o legado do ex-governador Ricardo Coutinho.

E esse talvez seja o ponto mais delicado da campanha. Lucas precisa convencer o eleitor de que pode continuar aquilo que João continuou sem parecer simplesmente um candidato que está vivendo do trabalho do antecessor. Precisa mostrar que conhece o governo por dentro, participou dele, ajudou a construí-lo e agora tem condições de colocar sua própria marca na próxima etapa.

E aí entra o outro problema: o sobrenome Ribeiro.

Para uma parcela do eleitorado paraibano, especialmente no campo da esquerda, o nome carrega uma memória política que pode provocar resistência. Lucas não disputa apenas contra Cícero e Efraim. Disputa também contra a imagem que parte do eleitorado já formou sobre o grupo político ao qual pertence.

Aguinaldo Ribeiro é seu tio e uma das principais lideranças políticas da família. As articulações do grupo também já são pensadas para além de 2026, alimentando especulações sobre uma possível composição familiar para a eleição de 2030.

Lucas tem a árdua tarefa de convencer o eleitor de que não é apenas um Ribeiro pedindo voto e precisa convencer que não é apenas o herdeiro de João Azevêdo pedindo continuidade.

Só que há uma ironia nisso tudo: justamente aquilo que ele tem de mais concreto para mostrar — as obras, os investimentos e as realizações do governo — também é aquilo que mais o remete a João.

É como se Lucas chegasse à eleição com uma excelente vitrine, mas precisasse explicar quem colocou os produtos nela.

E isso não é pouca coisa.

Cícero tem sua própria história política e pode dizer que faria diferente, porque a Paraíba já conhece sua trajetória. Efraim pode se apresentar como alternativa e defender uma mudança de rumo mais à direita. O que também pode ser um fator de rejeição para parte do eleitorado.

Mesmo que Lucas diga o que foi feito, a pergunta que virá é inevitável:

“Feito por quem?”

E a resposta não pode ser apagada pela campanha. Foi feito por um governo do qual Lucas participou, mas que teve João Azevêdo como governador durante a maior parte desse período.

É justamente por isso que a eleição será interessante.

Lucas terá de defender um legado que não é exclusivamente dele e, ao mesmo tempo, convencer o eleitor de que merece receber crédito suficiente para comandar a próxima etapa.

No fim, talvez essa seja a verdadeira disputa da candidatura, Lucas precisa transformar a herança administrativa de João Azevêdo em um projeto próprio. Se conseguir, terá uma base concreta para pedir continuidade.

Se não conseguir, corre o risco de ficar no meio do caminho: para uns, será apenas “mais um Ribeiro”; para outros, apenas o candidato que está tentando colher os frutos de um governo cuja principal assinatura é a de João Azevêdo.

E essa talvez seja a pergunta que acompanhará Lucas durante toda a campanha:

O eleitor estará votando no que João Azevêdo fez ou no que Lucas Ribeiro será capaz de fazer?

Além disso, existe outro desafio: parte importante do eleitorado de esquerda tende a apresentar resistência ao nome de Lucas Ribeiro, justamente pelo peso político do sobrenome que carrega. Para reduzir essa distância, sua chapa precisará dialogar de maneira convincente com esse segmento e apresentar uma composição que represente também esse campo político.

Eli Mariotti


Na política, existem decisões que elegem governos e outras que definem o rumo deles. A escolha do candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Lucas Ribeiro (PP) pertence à segunda categoria. Não se trata apenas de preencher um espaço na fotografia da campanha. Trata-se de definir qual projeto político terá maior capacidade de sustentação até 2030.

E, sob esse ponto de vista, há uma conclusão clara: a vaga de vice-governador deve ser do Partido dos Trabalhadores.

Essa não é apenas uma questão de prestígio partidário. É uma decisão estratégica para o próprio grupo governista.

O Republicanos é, sem dúvida, um dos maiores partidos da Paraíba. Possui forte bancada na Assembleia Legislativa, grande número de prefeitos, vereadores e uma liderança nacional consolidada com Hugo Motta na presidência da Câmara dos Deputados.

Justamente por isso, o Republicanos não depende da vice-governadoria para continuar sendo protagonista.

O mesmo não pode ser dito do PT.

Embora seja o partido do presidente Lula e governe o Brasil, o PT paraibano ainda não ocupa, dentro da estrutura estadual, um espaço equivalente ao peso político que possui nacionalmente. Entregar-lhe a vice-governadoria seria muito mais do que contemplar um aliado. Seria integrar definitivamente os dois principais níveis de poder que hoje caminham na mesma direção: o Governo Federal e o Governo da Paraíba.

Essa aproximação teria efeitos concretos.

A Paraíba tem forte dependência dos investimentos federais em infraestrutura, habitação, saúde, educação, mobilidade e desenvolvimento regional. Ter o partido do presidente compondo oficialmente a chapa majoritária fortalece o diálogo institucional, amplia a capacidade de articulação política em Brasília e cria um ambiente de maior estabilidade entre os governos estadual e federal.

Num país de presidencialismo de coalizão, isso faz diferença.

Há outro aspecto pouco observado.

As eleições de 2026 não serão vencidas apenas no interior ou apenas nas grandes cidades. Elas serão decididas pela soma de diferentes eleitorados.

O PP possui tem capilaridade administrativa, já que herda o governo de João Azevedo (PSB), prestigiado no estado por obras e outras políticas públicas.

Portanto, O PSB conserva a herança política da gestão João Azevêdo.

O Republicanos mantém uma das maiores estruturas municipais do Estado.

Mas é o PT que agrega um eleitorado altamente identificado com Lula, especialmente nas periferias urbanas, entre os movimentos feministas, no eleitorado feminino, nos setoriais de diversidade, movimentos sociais, sindicatos, agricultura familiar, juventude universitária e setores populares que historicamente acompanham o projeto nacional petista.

Em outras palavras: o PT amplia a frente eleitoral sem disputar o mesmo eleitor dos demais partidos da base.

É um ganho líquido e certo.

Existe ainda um componente simbólico.

A política brasileira atravessa um período de crescente polarização. Em vários estados, partidos de centro têm buscado aproximação com o governo federal justamente para reduzir conflitos institucionais e ampliar investimentos.

Na Paraíba, colocar o PT na vice-governadoria seria transformar essa aproximação em compromisso político permanente.

Seria uma demonstração de maturidade da aliança.

Também seria um reconhecimento.

Desde o início das articulações, o PT manifestou disposição de permanecer ao lado do projeto liderado por João Azevedo e agora por Lucas Ribeiro. Não fez oposição ao governo estadual, participou das principais votações de interesse da gestão, na convenção partidária consolidou apoio a chapa da situação e tem construído uma relação de estabilidade política que merece reciprocidade.

A vice-governadoria seria esse reconhecimento.

Naturalmente, há quem argumente que o Republicanos tem tamanho suficiente para reivindicar legitimamente essa indicação.

Mas exatamente por ser um partido grande, consolidado e com enorme influência institucional, o Republicanos continuará forte qualquer que seja a composição da chapa.

O PT, por outro lado, transforma a vice em um ativo político capaz de fortalecer toda a coligação. A escolha deixa de ser uma compensação partidária para se tornar uma decisão eleitoral.

Se Lucas Ribeiro pretende construir uma candidatura ampla, competitiva e capaz de unir o centro político ao campo progressista, dificilmente encontrará um gesto mais eficiente do que entregar ao PT a vaga de vice-governador.

Porque, no fim das contas, a pergunta não é qual partido merece mais a vaga.

A pergunta é qual escolha torna a chapa mais forte.

E hoje, olhando o cenário estadual, nacional e eleitoral, a resposta parece evidente.

Uma chapa com PP e PT representa muito mais do que uma composição de partidos. Representa a união entre a força administrativa da Paraíba e a força política do Governo Federal.

E isso pode ser decisivo nas urnas e, principalmente, na governabilidade dos próximos quatro anos.

Eli Mariotti

Foto: Ricardo Stuckert

A Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada neste domingo, produziu uma imagem política que dificilmente passará despercebida durante a campanha eleitoral. Em meio a problemas de organização do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a primeira-dama Janja para discursar, reforçando uma estratégia de aproximação com o eleitorado feminino. Também fez uma declaração que ganhou ampla repercussão: "Quem bate em mulher não precisa votar em mim", vinculando sua campanha ao enfrentamento da violência de gênero.

A fala não foi casual. Em um cenário eleitoral polarizado, as mulheres representam mais da metade do eleitorado brasileiro e tendem a ocupar posição decisiva na disputa presidencial. A estratégia do PT é evidente: fortalecer uma pauta que dialoga diretamente com esse segmento, ao mesmo tempo em que busca explorar fragilidades do adversário junto ao voto feminino.

Entretanto, se, nacionalmente, o discurso foi de valorização da mulher, na Paraíba a convenção estadual transmitiu uma impressão diferente.

Durante o evento, apenas uma candidata teve espaço para discursar, logo no início da programação, quando o público ainda era reduzido. Já na parte final, a única mulher a falar foi a presidente estadual do partido, Cida Ramos. A escassez de vozes femininas no palco foi percebida por militantes e lideranças presentes, gerando comentários entre representantes dos movimentos de mulheres.

O contraste chama atenção porque o próprio PT construiu sua identidade política defendendo a ampliação da participação feminina nos espaços de poder. Na Paraíba, o partido vive um momento histórico ao ser presidido, pela primeira vez, por uma mulher. Ainda assim, justamente no principal evento eleitoral da legenda no estado, a presença feminina na programação foi bastante limitada, abrindo espaço para questionamentos inevitáveis.

A discussão, porém, vai além da convenção.

Outro fato que passou a circular entre filiados e dirigentes é a dificuldade do PT da Paraíba em preencher integralmente a cota mínima de candidaturas femininas para a Assembleia Legislativa, situação que resultou na redução da chapa proporcional. A legislação eleitoral exige um percentual mínimo de candidaturas de cada gênero nas eleições proporcionais, e o seu descumprimento pode acarretar consequências para o registro da chapa.

A pergunta que começa a ecoar nos grupos internos do partido é simples:

E por que o PT da Paraíba não conseguiu atrair mulheres suficientes para completar sua chapa?

A resposta não parece ser apenas burocrática.

Ela pode envolver dificuldades de organização partidária, falta de renovação dos quadros, baixa disposição de lideranças femininas para disputar eleições ou problemas estruturais de incentivo à participação das mulheres. Seja qual for a explicação, o fato político existe e passou a ser debatido internamente.

Na política, símbolos têm peso semelhante ao dos discursos.

Lula compreendeu isso ao transformar a defesa das mulheres em uma das mensagens centrais da convenção nacional. Mas o simbolismo perde parte de sua força quando, na esfera estadual do próprio partido, a participação feminina não encontra a mesma visibilidade.

Não se trata apenas de cumprir cotas previstas em lei ou reservar alguns minutos de fala durante uma convenção. Trata-se de coerência entre discurso e prática.

Se o voto feminino pode ser determinante na eleição presidencial, como indicam diversas pesquisas, os partidos de esquerda, entre eles o PT, precisarão demonstrar na prática, que as mulheres ocupam espaços reais de protagonismo, tanto nas candidaturas quanto nas instâncias de decisão e não apenas nas peças de campanha.

No caso da Paraíba, a convenção estadual deixou uma pergunta que dificilmente será respondida apenas com discursos: se o PT pretende dialogar com o eleitorado feminino durante a campanha, por que as mulheres tiveram tão pouca visibilidade justamente no palco que deveria simbolizar a força e a diversidade do partido? 

Essa é uma questão política legítima, cuja resposta caberá ao próprio PT apresentar ao longo do processo eleitoral.

 


O militante histórico do Partido dos Trabalhadores, Lenildo Morais, liderança da corrente Movimento PT, assumiu oficialmente nesta segunda-feira a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), reforçando o espaço da Paraíba no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ex-prefeito de Patos e ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Lenildo chega ao comando da Funasa com a missão de fortalecer as políticas públicas voltadas à saúde, ao saneamento básico e à melhoria da qualidade de vida da população brasileira, especialmente nas regiões mais vulneráveis do país.

Ao assumir o cargo, Lenildo Morais destacou o compromisso com uma gestão humanizada e voltada ao interesse público.

“Recebo com muita responsabilidade e compromisso a missão de assumir a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Seguiremos trabalhando pelo fortalecimento das políticas públicas de saúde, do saneamento e da qualidade de vida da população brasileira, especialmente das comunidades que mais precisam da presença do Estado.

Agradeço a confiança ao nosso grande Presidente Lula, além do companheiro e Ministro Padilha, e reafirmo meu compromisso com uma gestão dedicada, humana e voltada ao interesse público”, afirmou.

A nomeação é vista como reconhecimento à trajetória política e administrativa de Lenildo Morais, que ao longo dos anos construiu forte atuação nos movimentos sociais e dentro do PT, consolidando-se como uma das principais lideranças políticas da Paraíba ligadas ao campo popular e democrático.

A Funasa desempenha papel estratégico na execução de ações de saneamento e promoção da saúde pública em municípios brasileiros, sobretudo nas cidades de pequeno porte e em comunidades historicamente carentes de investimentos públicos.

Eli Mariotti

O Movimento PT da Paraíba divulgou, nesta sexta-feira (9), uma nota política na qual manifesta insatisfação com a condução da direção estadual do Partido dos Trabalhadores e denuncia o que classificou como um processo de exclusão sistemática da corrente interna dos principais espaços de decisão partidária.


Intitulada “A Necessidade Real de Unificação do Partido Respeitando Todas as Correntes”, a nota afirma que o grupo vem sendo afastado dos debates estratégicos e das articulações políticas do PT na Paraíba, apesar de possuir representação legítima dentro da estrutura partidária.


O documento relembra que, no último Processo de Eleições Diretas (PED) do partido, o Movimento PT conquistou o segundo lugar na disputa interna, mas, segundo a corrente, não recebeu o reconhecimento proporcional dentro da Executiva Estadual.


Entre os episódios apontados como exemplos de isolamento político, o Movimento cita a ausência de representantes da corrente em uma reunião entre dirigentes petistas e o governador do Estado para tratar das articulações visando as eleições de 2026.


A nota também critica a exclusão do grupo da mesa política do encontro realizado no Sindicato dos Bancários entre a militância paraibana e o presidente nacional do PT.


Outro ponto destacado pelo Movimento PT foi a discussão em torno da possível aliança para as eleições estaduais de 2026. Segundo a corrente, houve concordância inicial com a resolução apresentada pela presidência estadual em defesa do apoio à possível candidatura de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado, desde que fosse garantida ao PT da Paraíba a reivindicação da vaga de vice-governador.


No texto, o Movimento afirma que considera insuficiente a oferta de apenas uma secretaria estadual para o partido e defende que a vice-governadoria seria fundamental para ampliar a representatividade política do PT no estado.


A corrente interna também demonstrou preocupação com o cenário eleitoral proporcional para 2026, alertando para o risco de redução da bancada petista na Assembleia Legislativa da Paraíba. Segundo o documento, a falta de diálogo com parlamentares e lideranças políticas teria contribuído para o enfraquecimento do partido e para a saída de importantes quadros políticos.


“O partido vem se apequenando politicamente no estado, sem apresentar um projeto consistente de crescimento e fortalecimento partidário”, afirma trecho da nota.


Apesar das críticas, o Movimento PT reafirmou compromisso com a unidade partidária, com o fortalecimento e a reeleição do presidente Lula, além da defesa de um PT “forte, democrático e protagonista” na Paraíba.


Ao final, a corrente cobra da direção estadual uma mudança de postura, com maior diálogo interno e respeito à pluralidade de forças que compõem o partido.


A nota foi divulgada oficialmente pelo Movimento PT – Paraíba e tem potencial de ampliar o debate interno sobre os rumos políticos do Partido dos Trabalhadores no estado às vésperas das articulações para as eleições de 2026.


Eli Mariotti

Leia a nota na íntegra:


A NECESSIDADE REAL DE UNIFICAÇÃO DO PARTIDO RESPEITANDO TODAS AS CORRENTES

O Movimento PT da Paraíba vem a público manifestar sua profunda preocupação e insatisfação diante da forma como nossa corrente interna vem sendo sistematicamente excluída dos principais espaços de debate, formulação política e tomada de decisões no âmbito da direção estadual do Partido dos Trabalhadores.

Somos parte legítima da construção histórica do PT na Paraíba e no Brasil. No último PED, o Movimento disputou as eleições internas do partido e alcançou o segundo lugar no pleito com méritos próprios. Mesmo assim, não obtivemos o reconhecimento adequado ao nosso espaço na Executiva Estadual, sendo inclusive preteridos em favor da corrente que ficou em terceiro lugar na disputa.

Defendemos um partido democrático, plural, coletivo e comprometido com a participação efetiva de todas as suas correntes e militâncias. No entanto, os acontecimentos recentes demonstram um preocupante processo de isolamento político do Movimento PT dentro da atual gestão estadual partidária.


Entre os fatos que evidenciam essa prática, destacamos:

a) O Partido participou de reunião com o atual governador do Estado para tratar das negociações políticas e do apoio para as eleições de 2026, sem que qualquer representante do Movimento PT na Executiva Estadual fosse convidado a participar das discussões, apesar de integrarmos legitimamente os espaços de direção partidária.

b) No último encontro realizado no Sindicato dos Bancários entre a militância paraibana e o presidente nacional do PT, novamente o Movimento PT estadual foi completamente excluído da composição da mesa política do evento, demonstrando ausência de reconhecimento à nossa representatividade e trajetória dentro do partido.

c) Na última reunião do Diretório Estadual do PT, realizada no Hotel Litoral, o Movimento PT não abriu divergência à resolução apresentada pela presidência estadual do partido acerca do apoio à possível candidatura de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado, desde que esse apoio estivesse condicionado à garantia de plena reinvidicação para a vaga de vice-governador para o PT da Paraíba.


O Movimento PT entende que a oferta de apenas uma secretaria estadual é insuficiente para a dimensão política e institucional do Partido dos Trabalhadores, que governa o Brasil sob a liderança do presidente Lula de forma democrática, popular e inclusiva.

Defendemos que a vice-governadoria representa um espaço estratégico de visibilidade, fortalecimento político e afirmação institucional do PT perante o povo paraibano, elevando o partido à condição de protagonismo e plena representatividade no estado.

Também nos preocupa profundamente a fragilidade do projeto eleitoral do PT para as eleições proporcionais. Entramos no próximo processo eleitoral com reduzidas perspectivas de eleger a quantidade necessária de parlamentares para a Assembleia Legislativa da Paraíba.

Entendemos que esse cenário é consequência direta da ausência de diálogo político com parlamentares do partido, fato que contribuiu, inclusive, para a evasão de um importante deputado estadual que poderia fortalecer nossa chapa proporcional.

Ao mesmo tempo, não observamos iniciativas concretas da direção estadual para incentivar a entrada de novas lideranças e pré-candidaturas capazes de ampliar e fortalecer a chapa de deputados estaduais do PT.

Infelizmente, o partido vem se apequenando politicamente no estado, sem apresentar um projeto consistente de crescimento e fortalecimento partidário. O que temos observado é a predominância de projetos políticos pessoais conduzidos de forma unilateral, sem o devido debate coletivo e sem a construção democrática necessária dentro do partido.

O Movimento PT reafirma seu compromisso com a unidade partidária, com o fortalecimento e reeleição do governo do presidente Lula e com a construção de um PT forte, democrático e protagonista na Paraíba. Contudo, unidade não pode significar silêncio diante da exclusão política, nem submissão a decisões construídas sem diálogo.

Esperamos que a direção estadual reveja urgentemente sua postura e restabeleça uma relação baseada no respeito político, na participação democrática e na valorização de todas as forças que constroem diariamente o Partido dos Trabalhadores na Paraíba.


Paraíba. 9 de maio de 2026

Movimento PT – Paraíba


Coordenadores:

Lenildo Morais - Coordenador Nacional e ex-prefeito de Patos

Carlinhos Guedes - Coordenador Estadual


Executiva do PT da Paraíba

Eli Mariotti - Secretário de Desenvolvimento Econômico

Edna Ribeiro - Vogal


Diretório Estadual

Zé Campina

A corrente Movimento PT, do Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba, divulgou nesta semana uma nota pública em que conclama a militância, filiados e a sociedade a se mobilizarem diante dos desafios políticos que se aproximam no cenário eleitoral.

No documento, a tendência destaca que o Brasil segue marcado por forte polarização política, o que, segundo o grupo, exige “maturidade, unidade e capacidade de mobilização” das forças progressistas. A nota reforça ainda a necessidade de defesa da democracia e da continuidade de um projeto nacional voltado à justiça social.

Entre as prioridades apontadas está a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o Movimento PT, a atual gestão federal é caracterizada pela reconstrução de políticas públicas e pela atenção aos setores mais vulneráveis da população, elementos que devem ser apresentados à sociedade durante o processo eleitoral.

No âmbito estadual, a corrente manifesta apoio ao nome do vereador Marcos Henrique para compor a vaga de vice na chapa ao governo apoiada pelo PT. A justificativa, segundo a nota, é a importância de garantir representação partidária no palanque majoritário.

Já na disputa pelo Senado, o grupo cita como estratégicos nomes como o do senador Veneziano Vital do Rêgo, considerado peça importante para a formação de maioria no Congresso em apoio ao governo federal. Para a Câmara dos Deputados, a nota também menciona o ex-governador Ricardo Coutinho como um nome relevante para fortalecer uma bancada alinhada a pautas progressistas.

O documento ainda ressalta a importância da eleição para a Assembleia Legislativa da Paraíba, destacando candidaturas como a de Flávio Tavares Brasileiro, apontado como representante de renovação política ao combinar juventude e experiência.

Por fim, o Movimento PT defende a intensificação da atuação nas ruas e nas redes sociais, o fortalecimento da base partidária e o engajamento nas pré-campanhas. A corrente conclui afirmando confiança na construção de uma campanha competitiva e na conquista de avanços políticos no estado e no país.

A nota encerra com a reafirmação do compromisso da tendência com a luta política e com o que considera ser o desenvolvimento social da Paraíba e do Brasil.

Eli Mariotti

Leia a Nota na Integra:

Partido dos Trabalhadores – Paraíba

NOTA PÚBLICA - MOVIMENTO PT – PARÁIBA

A Tendência Movimento PT do Partido dos Trabalhadores na Paraíba vem a público dirigir-se à militância, aos filiados e à sociedade em geral diante dos desafios políticos que se aproximam.

O ano em curso aponta para um pleito eleitoral desafiador. O Brasil permanece profundamente dividido e polarizado, o que exige de todos nós maturidade política, unidade e capacidade de mobilização. Mais do que nunca, será fundamental reafirmar nosso compromisso com a democracia e com um projeto de país orientado pela justiça social.

Temos como tarefa central contribuir para a reeleição do presidente Lula, demonstrando à população os avanços de sua gestão, marcada pela reconstrução do Brasil, pela retomada de políticas públicas e pelo compromisso com os segmentos mais vulneráveis da sociedade.

Com essa perspectiva, endossamos o nome do vereador Marcos Henrique a vaga de vice na chapa apoiada pelo PT ao governo do estado, pois consideramos de vital importância, o partido estar bem representado no palanque da majoritária.

A eleição ao senado, também não pode ser negligenciada. Nomes como o do senador Veneziano Vital do Rêgo são indispensáveis para Lula compor a sua maioria no senado no seu quarto mandato. Assim como o nome do ex-governador Ricardo Coutinho, são fundamentais para termos uma Câmara dos Deputados, progressista e comprometida com as pautas populares.

E é claro, não podemos esquecer, do pleito a Assembleia Legislativa da Paraíba, espaço privilegiado para o debate das questões estaduais, buscando o desenvolvido regional. O PT tem nomes na sua chapa a deputado estadual como o companheiro, Flávio Tavares Brasileiro, que casa perfeitamente no seu perfil, os atributos da juventude e experiência, significando uma possibilidade de renovação do nosso parlamento paraibano.

É urgente intensificar a disputa das ruas e redes, fortalecer nossa base e ampliar o engajamento nas pré-campanhas de nossos candidatos e candidatas, tanto no âmbito estadual quanto federal. Com organização, militância ativa e diálogo permanente com o povo, construiremos uma campanha forte, vitoriosa e ampliaremos nossa representação.

Seguimos firmes na luta, com coragem e determinação, convictos de que é possível avançar e conquistar vitórias importantes para o povo da Paraíba e do Brasil.

Paraíba, 25 de abril de 2026.


Imagem: ClickPB
A política paraibana caminha para 2026 como um terreno ainda em ebulição, onde nada está completamente definido e quase tudo está sendo negociado. Sob a superfície das alianças aparentemente estáveis, o que se vê é um jogo de reposicionamento em que o Partido dos Trabalhadores ocupa um lugar paradoxal: forte do ponto de vista simbólico e eleitoral, sobretudo pela ampla aprovação do presidente Lula no estado, mas ainda em busca de uma tradução clara desse capital político no tabuleiro local. A Paraíba segue sendo um dos estados onde o lulismo encontra maior ressonância popular, o que confere ao PT uma centralidade silenciosa, porém decisiva, nas articulações que se desenham.

Esse protagonismo, no entanto, não se converte automaticamente em comando. O PT paraibano, atualmente presidido pela Deputada Estadual Cida Ramos, atravessa um momento de reflexão e tensão interna, tentando equilibrar sua identidade histórica de esquerda com o pragmatismo exigido pelas disputas regionais. A legenda conversa com diferentes campos, observa os movimentos dos aliados tradicionais e evita anunciar decisões precipitadas. Há um cuidado visível em não repetir erros passados, quando alianças garantiram presença institucional, mas custaram caro em termos de narrativa, autonomia e capacidade de se apresentar como sujeito político diante do eleitorado.

No centro desse xadrez estão figuras já conhecidas do eleitor paraibano, mas também personagens cuja força reside justamente na estabilidade. O governador João Azevêdo, do PSB, mantém-se como um dos principais polos de poder, líder das pesquisas para o Senado, com forte inserção administrativa e bom trânsito junto ao governo federal. Seu nome circula tanto em projeções para o Senado quanto como referência da continuidade de um campo progressista ampliado no Congresso nacional.

Caso essa movimentação se confirme, a engrenagem institucional do estado passa a girar em torno de outro ator: o vice-governador Lucas Ribeiro. Ligado ao Progressistas e com trânsito não tão fluido entre o centro político, o empresariado e nenhum na base governista, Lucas representa uma suposta continuidade administrativa sem nenhuma identidade com a esquerda, mas com intenção de ocupar o centro do poder, deslocando o debate do eixo clássico esquerda versus direita para uma lógica de estabilidade e transição geracional.

Esse redesenho do campo governista se cruza com outra articulação de peso: a reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo. Veneziano surge como uma âncora política de longo curso, com base eleitoral consolidada e capacidade de diálogo tanto com o lulismo quanto com setores mais tradicionais da política paraibana, além de registrar o segundo lugar nas pesquisas ao Senado. Sua possível presença na chapa de Cícero Lucena confere densidade nacional e institucional a um projeto que, até pouco tempo, poderia ser visto apenas como local. Ao vincular Cícero a Veneziano, constrói-se uma chapa que combina força municipal, capilaridade estadual e trânsito em Brasília, reduzindo riscos eleitorais e ampliando a competitividade do campo de centro-governo.

Para o PT, essa equação está nos cálculos. Veneziano, deixando de lado rusgas passadas, é um aliado confiável do governo Lula no Senado, alguém com quem o partido dialoga sem atritos ideológicos profundos. Uma chapa Cícero–Veneziano tende a atrair naturalmente o eleitor lulista moderado, criando um ambiente em que o PT pode ser chamado a apoiar sem necessariamente liderar. O risco, novamente, é a diluição: ao aderir a uma chapa desse tipo sem contrapartida prática, e por consequência simbólica, o partido pode reforçar a percepção de que sua função é apenas somar votos e não formular projetos.

Ao mesmo tempo, essa composição pressiona o campo liderado por João Azevêdo e Lucas Ribeiro. A disputa deixa de ser apenas sobre continuidade administrativa e passa a envolver musculatura eleitoral e articulação nacional. Com Veneziano no jogo pela reeleição, 2026 tende a se transformar menos em uma eleição de enfrentamento ideológico e mais em uma competição entre arranjos políticos amplos, todos orbitando, de alguma forma, o lulismo, mas sem que o PT seja necessariamente o centro visível dessas construções.

Nesse cenário, a hipótese de múltiplos palanques para Lula na Paraíba ganha contornos ainda mais claros. O presidente aparece como ponto de convergência, enquanto as disputas reais se dão em torno de quem administra o poder local e como esse poder se organiza. O contraste entre a força eleitoral do PT nas eleições presidenciais e sua dificuldade em liderar projetos majoritários estaduais se aprofunda, revelando um partido grande demais para ser ignorado e, paradoxalmente, pouco presente na linha de frente do debate.

Pesquisas de intenção de voto reforçam esse quadro: nomes associados à continuidade, à estabilidade e à articulação institucional largam em vantagem, enquanto o discurso de ruptura perde espaço. Para a esquerda, isso impõe um desafio adicional: como disputar hegemonia política em um cenário que privilegia o consenso e penaliza o conflito programático?

Às vésperas de 2026, o Partido dos Trabalhadores na Paraíba parece viver um momento decisivo de autoavaliação. Entre a força simbólica do lulismo, a ascensão de figuras de direita como Lucas Ribeiro, a consolidação de uma possível chapa Cícero–Veneziano e a permanência de lideranças tradicionais, o partido caminha sobre uma linha estreita entre governabilidade e identidade. O desfecho dessa travessia não definirá apenas alianças eleitorais, mas o lugar que a esquerda ocupará no imaginário político paraibano nos próximos anos.



Um clima de alianças estratégicas marcou o encontro estadual do Partido Rede Sustentabilidade (Rede) da Paraíba, realizado no último sábado. O evento, que teve como cerimônia central a passagem da gestão atual para uma nova direção, tendo sido eleitos Eduarda Almeida e Gerson Vasconcelos, como atuais porta-vozes (presidentes) estaduais da Rede Sustentabilidade na Paraíba.

A nova direção foi oficializada em um encontro em João Pessoa, neste sábado (25/10) após o qual os novos dirigentes e a formação partidária foram apresentados. Vale lembrar que Cristiane Almeida é a presidenta que deixa o cargo e passou a faixa pra filha Duda Almeida.

Transformou-se o palco num espaço mais amplo, reunindo representantes de legendas federadas e progressista, ecoando discursos uníssonos em defesa da justiça social, do fortalecimento das mulheres na política e do projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

A solenidade, que atraiu olhares além-muros do partido anfitrião, contou com a presença de figuras emblemáticas da esquerda paraibana. Representando o Partido dos Trabalhadores, compareceu o jornalista Eli Mariotti, secretário de Desenvolvimento Econômico da legenda no estado, convocado pessoalmente pela primeira mulher presidenta estadual do PT, a deputada Cida Ramos, para ali estar como representante do partido.

No evento defendeu a união de todos os partidos da esfera progressista para a reeleição do Presidente Lula, ao mesmo tempo em que reforçava a extrema necessidade do aumento de parlamentares da esquerda na AL, no Congresso e no Senado que fossem inequivocamente, a base fiel do um provável governo progressista na próxima gestão federal.

Como secretário de Desenvolvimento Econômico do PT Paraibano e também gestor da Feira Popular Paraibana, sua presença não foi meramente protocolar, assumiu como porta voz das empreendoras e empreendedores da economia criativa e popular e convocou a todos os partidos presentes para que se unissem em trabalhar para aprovar políticas públicas para as mulheres deste segmento econômico, cujo gênero ser faz presente em pelo menos 90% desta categoria.

O Partido Verde (PV). esteve presente, na pessoa do presidente estadual do PV, sargento Denis, reforçando os laços que unem as siglas da Federação da qual o PT faz parte.

Tárcio Teixeira, representante do PSOL paraibano e presidente da federação partidária que abriga o próprio Rede Sustentabilidade, também estava presente e discursou. A cena era clara: no tabuleiro da política paraibana, as peças se movem de forma coordenada, e o evento do Rede serviu como um momento de congraçamento e reafirmação de objetivos comuns entre essas forças progressistas.

O vice-governador Lucas Ribeiro compareceu rapidamente e antes da cerimônia começar, fez um breve discurso de pré-candidato. Também esteve presente Léo Bezerra, vice-prefeito de João Pessoa e que compôs a mesa.

O protagonismo feminino foi um dos eixos centrais dos discursos que ecoaram no encontro.

O empoderamento das mulheres como conquistadoras de seu espaço na política e em todos os setores da sociedade foi exaltado como um valor inegociável para o campo progressista. Os oradores, um após o outro, entrelaçaram essa bandeira com a defesa intransigente da justiça social e, sobretudo, com um apelo fervoroso pela reeleição do presidente Lula, visto como o pilar central para a sustentação dessas conquistas em nível nacional.

A ambição dos presentes, no entanto, não se limitou ao Planalto. Os discursos colocaram na mesa uma necessidade pragmática e urgente: a de trabalhar incansavelmente para ampliar a bancada de parlamentares progressistas.

O objetivo declarado é ambicioso – igualar ou, preferencialmente, dominar a correlação de forças no Congresso Nacional e em especial, na Assembleia Legislativa da Paraíba. A mensagem era de que a vitória presidencial é fundamental, mas terá muitas dificuldades sem uma base parlamentar sólida que permita desobstruir a agenda do governo e travar as batalhas legislativas que se avizinham.

O encontro do Rede Sustentabilidade da Paraíba, portanto, foi mais do que uma simples troca de comando partidária. Foi um microcosmo da estratégia da esquerda paraibana.

Eli Mariotti



A relação entre os partidos políticos e seus representantes regionais é um tema que frequentemente gera debates sobre alinhamento ideológico e fidelidade às diretrizes nacionais. 

No caso do Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba, particularmente em João Pessoa, essa questão se torna ainda mais relevante ao analisarmos o apoio de membros do diretório estadual e municipal ao prefeito Cícero Lucena, que contraria os princípios e o programa de governo defendido pelo PT em nível nacional. 

Tal postura gera indignação entre os filiados, pois evidencia uma tendência ao fisiologismo e ao distanciamento dos compromissos éticos firmados pelo partido com a população.

O fisiologismo, caracterizado pelo apoio político com base em trocas de favores e interesses pessoais em detrimento do bem comum, compromete a credibilidade de qualquer partido que se proponha a atuar de forma transparente e responsável. 

No caso em questão, os membros que insistem no apoio ao prefeito Cícero Lucena estão, na visão dos críticos, traindo as diretrizes nacionais do PT, que visam à construção de uma política voltada para o interesse popular, com foco no desenvolvimento social e econômico das comunidades mais vulneráveis.

A intervenção da direção nacional do partido, no sentido de forçar uma candidatura própria, a pedido do partido inicialmente, surge como uma tentativa de resgatar a coerência e a unidade interna. 

O PT, historicamente vinculado às pautas de justiça social, direitos humanos e políticas públicas inclusivas, encontra-se, assim, em uma encruzilhada e divergência entre a maioria dos militantes e filiados que querem manter sua identidade ou e o grupo minoritário que está na gestão do partido que cedem aos apelos do pragmatismo fisiológico que se traduz em alianças questionáveis e por isso trabalham em detrimento da campanha eleitoral do candidato 13, Luciano Cartaxo a prefeitura de João Pessoa.

Ademais, ao apoiar uma administração que adota práticas administrativas consideradas contrárias aos princípios defendidos pelo PT, os membros do diretório estadual e municipal perderam a confiança da base militante e dos eleitores que acreditam nos ideais progressistas do partido. A postura deles também revela um distanciamento entre as lideranças nacionais e os anseios da população de João Pessoa, que sofre as consequências de uma gestão pública que não prioriza os interesses coletivos e o real desenvolvimento da Capital da Paraíba.

Em conclusão, o apoio ao prefeito Cícero Lucena por parte de membros do PT na Paraíba representa um desvio ético grave que compromete a coesão partidária e a defesa de princípios essenciais para o partido. Em tempos de crise política e social, é fundamental que os partidos mantenham uma postura de integridade e respeito às suas diretrizes, visando sempre o bem-estar da população e a construção de uma sociedade mais justa.

O agravante desta postura anti ética e fisiologista de gestores do PT da Paraíba e de João Pessoa, se dá ainda mais pelo fato de que o presidente Lula apoia o candidato pelo PT, Luciano Cartaxo, o que configura um sério motim contra o próprio presidente Lula, liderança incontestável do partido e as lideranças nacionais do PT - Partido dos Trabalhadores.

Protesto contra o assédio moral no BB da Epitácio Pessoa - foto: Otávio Ivson

O Vereador da Capital, João Pessoa, Marcos Henriques (PT) participou de um protesto nesta terça-feira (24), na Agência Empresa João Pessoa do Banco do Brasil, na Epitácio Pessoa, contra a prática de assédio moral naquela unidade. Além do assédio, também há denúncia de descomissionamentos.

A manifestação, convocada pelo Sindicato dos Bancários da Paraíba, é considerado por Marcos Henrique, que também é diretor do sindicato, como ação fundamental de combate ao assédio moral para evitar que novos casos aconteçam. “Estamos na Agência Empresa João Pessoa do Banco do Brasil para denunciar a prática de assédio moral, que tem acontecido aqui nesta agência.

“Resguardar o direito dos funcionários de serem respeitados. Sabemos a missão do banco público e a importância do BB de investir no social e em financiar o pequeno, médio e grande empresário. Nosso mandato está ao lado do Sindicato, lutando para que todos os empregados e empregadas sejam respeitados e não mais sofram de assédio de qualquer natureza em seus locais de trabalho”.

Marcos Henriques tem se destacado já no início de 2023 por sua atuação em favor dos trabalhadores do sistema bancário, contra o veto do prefeito Cícero Lucena ao pagamento do piso da Enfermagem, que já é lei em todo o país e pela imediata reação e repúdio a tentativa de golpe em Brasília contra o governo do Presidente Lula, no dia 8 de janeiro . 

O Sindicato já denunciou todos os abusos para a diretoria do BB. Importante destacar que a Convenção Coletiva da categoria proíbe a cobrança de metas abusivas e ameaças aos funcionários. 

“Repudiamos os métodos de gestão do atual gestor, de perseguição, falta de diálogo, uma série de fatores que somados contribuem para a prática do assédio moral que é inaceitável e não dá para conviver mais com essa prática. Estamos passando por um processo de mudança, de novos ventos e ares. Chega de massacre aos trabalhadores. O Sindicato já está encaminhado a denúncia para os órgãos competentes, como o Ministério Público do Trabalho e a Gepes João Pessoa, para que sejam apurados os fatos e tomadas as devidas providências. Queremos solução para esse problema, não dá para tolerar essa gestão assediadora que adoece os trabalhadores em detrimento do lucro e dos resultados; não dá!”, afirma veementemente Magali Pontes, bancária do BB e diretora do Sindicato.

Fonte:
Ascom: Marcos Henriques
Sindicato dos Bancários