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A carta divulgada por Carlos Bolsonaro nesta terça-feira (13), endereçada ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão e atualmente custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, vai muito além de um gesto filial. O texto revela uma operação simbólica cuidadosamente construída: deslocar o eixo do debate da esfera jurídica para o campo emocional, moral e psicológico, numa tentativa explícita de converter uma condenação judicial em narrativa de perseguição, sacrifício e redenção política.

Sob o ponto de vista psicológico, a carta expõe um mecanismo clássico de negação da realidade jurídica. Carlos não enfrenta o mérito da condenação, tampouco menciona crimes, as fartas provas ou decisões judiciais. Ao contrário, substitui fatos por sentimentos, transformando a prisão, resultado de um longo e idôneo processo legal ,em “tortura”, “imoralidade” e “perseguição”. Trata-se de uma estratégia de defesa psíquica: quando a realidade é insuportável, ela é reescrita como injustiça absoluta.

Esse movimento emocional, no entanto, não é apenas íntimo ou familiar. Há uma clara intencionalidade política no texto. A carta funciona como instrumento de mobilização das bases bolsonaristas, num momento em que setores da extrema direita tentam pressionar o Congresso pela anulação dos vetos do presidente Lula à chamada Lei da Dosimetria, especialmente no que se refere aos crimes cometidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Ao reforçar a ideia de perseguição e injustiça, Carlos busca criar um ambiente emocional favorável à revisão das penas e à reinterpretação dos atos antidemocráticos como excessos puníveis com menor rigor ou mesmo como manifestações políticas legítimas.

Nesse mesmo movimento, a carta também opera como uma tentativa indireta de constranger o Supremo Tribunal Federal, em especial o ministro Alexandre de Moraes. Ao descrever o cárcere como um ambiente “frio, barulhento, molhado” e dominado por “decisões arbitrárias”, Carlos constrói um apelo público para uma improvável concessão de prisão domiciliar, não com base em critérios legais objetivos, mas na comoção emocional e na pressão popular. É uma estratégia conhecida: transformar o juiz em vilão e a decisão judicial em crueldade pessoal.

Do ponto de vista psicológico, o texto também revela um processo de idealização extrema da figura paterna. Jair Bolsonaro é apresentado não como um réu condenado, mas como um homem “íntegro”, silenciado por forças externas. Essa idealização protege emocionalmente o filho da frustração e da culpa, ao mesmo tempo em que tenta preservar, junto à militância, a imagem do pai como líder moral injustiçado. É a recusa em aceitar a falibilidade da figura de autoridade, traço comum em relações familiares marcadas por forte hierarquia simbólica e dependência identitária (autoritarismo).

Outro elemento central é a inversão de papéis. O condenado torna-se vítima; o sistema de Justiça, o agressor. O Estado de Direito é retratado como instrumento de opressão, enquanto a pena aplicada é tratada como violência ilegítima. Essa inversão não é retórica inocente: ela sustenta a narrativa de mártir político necessária para manter a coesão de uma base que se alimenta mais de emoção e ressentimento do que de fatos jurídicos. Na esperança que, talvez, acendendo os celulares para os aliens, eles venham libertar o "mito".

Há ainda um componente de apelo messiânico. Ao afirmar que a história do pai “não termina aqui” e que sua voz ainda é necessária, Carlos projeta um futuro de redenção e retorno. A prisão deixa de ser consequência jurídica para se tornar uma etapa de provação. Psicologicamente, isso impede o luto político, a aceitação do fim de um ciclo e mantém viva a fantasia de restauração do poder perdido.

Contudo, justamente por seu tom absolutista e emocional, a carta revela fragilidade. A insistência em negar a legitimidade da prisão indica profunda dificuldade de lidar com a responsabilização. Em democracias funcionais, a prisão de um ex-presidente não é martírio, mas demonstração de que ninguém está acima da lei. A justiça não se mede pelo sofrimento narrado, mas pelo respeito ao devido processo legal.

Ao tentar transformar uma condenação em epopeia pessoal e instrumento de pressão política, Carlos Bolsonaro expõe mais sobre seu próprio estado psicológico e estratégico, e que nunca foi conhecido por seu equilíbrio e coerência, do que sobre a suposta situação do pai. A carta é o retrato de alguém que luta para manter viva uma identidade construída em torno do poder, da negação e do confronto permanente. Mas a realidade jurídica permanece: Jair Bolsonaro não é um prisioneiro político, e sim um condenado.

E, por mais que a retórica tente revestir a prisão de heroísmo, a justiça não se revoga por emoção, nem se anula por mobilização de base. Aceitar isso talvez seja o passo psicológico mais difícil  e que nunca será dado.

Por Eli Mariotti

Leia a íntegra da carta, se tiver o mínimo de paciência pra isso:

Pai,

Escrevo não apenas como filho, mas como alguém que te viu resistir quando tudo parecia perdido. Vi seu corpo ferido, tua alma testada, tua honra atacada de formas que poucos homens suportariam sem cair. E, ainda assim, você permaneceu de pé - mesmo quando tentaram te dobrar pela dor, pela injustiça, pela humilhação calculada e pelo silêncio imposto.

O que estão fazendo agora não é justiça. É perseguição, é tortura, é imoralidade. É a tentativa metódica de te esgotar por dentro, de te afastar de quem você ama, de te fazer acreditar que está sozinho. Mas você não está. Nunca esteve.

Cada dia que passa, pai, confirma aquilo que sempre soubemos: não é sobre erros, não é sobre leis - é sobre te quebrar moralmente. E é justamente por isso que resistir se tornou um ato de amor. Amor por nós, teus filhos. Amor por quem acredita em você. Amor pela verdade.

Quero que saiba que estamos aqui. Firmes. Atentos. Fortes por você, quando o cansaço aperta. Precisamos de você em pé, pai. Precisamos da tua lucidez, da tua presença, da tua voz - mesmo que agora tentem calá-la entre paredes frias, barulhentas, molhadas e decisões arbitrárias.

Você nos ensinou que dignidade não se negocia. Que caráter não se curva. Que a verdade pode até ser perseguida, mas nunca enterrada. É isso que nos sustenta agora. É isso que deve te sustentar.

Levante-se todos os dias com a certeza de que sua história não termina aqui. Que seus filhos precisam de você vivo, forte e de cabeça erguida. Que ainda há muito o que atravessar - e nós atravessaremos juntos. A injustiça não vence homens íntegros. E você, pai, segue íntegro.

Com amor, lealdade e esperança,

Carlos.


A detenção de 14 jornalistas durante a sessão de posse ocorrida ontem na Assembleia Nacional da Venezuela não é apenas um episódio lamentável. É um sintoma grave do Estado que passou a enxergar a informação como inimiga. Quando jornalistas são tratados como suspeitos ou criminosos por exercerem sua função, o problema já não é de segurança, mas de abuso de poder.

O Parlamento deveria ser o espaço máximo da transparência. É ali que decisões são tomadas em nome do povo, e é justamente ali que a presença da imprensa se torna indispensável. Impedir registros, vasculhar celulares, bloquear transmissões e deter profissionais sem acusação formal revela uma escolha política clara: controlar a narrativa em vez de prestar contas.

O momento político venezuelano ajuda a explicar, mas não a justificar o ocorrido. Em meio a uma transição de poder marcada por incertezas, isolamento internacional e disputas internas no chavismo, além da forte pressão norte americana, o Legislativo venezuelano opta por uma prática conhecida no Brasil: intimidar para reduzir o olhar externo. A imprensa, sobretudo a internacional, torna-se um risco porque registra aquilo que o discurso oficial não consegue sustentar.

Há ainda um aspecto mais profundo e preocupante. A apreensão de equipamentos e o acesso forçado a dados pessoais não atingem apenas os jornalistas, mas também suas fontes, muitas vezes cidadãos comuns. Esse tipo de ação cria um ambiente de medo coletivo, onde falar, denunciar ou simplesmente relatar fatos passa a ser visto como um ato perigoso.

Não se trata apenas da Venezuela. O ataque à imprensa por representantes do Estado é um fenômeno recorrente nos últimos tempos. Quando o poder deixa de dialogar com a sociedade, passa a dialogar com o silêncio. E o silêncio, sabemos que nunca é neutro, ele sempre favorece quem manda.

A presença de jornalistas estrangeiros entre os detidos agrava ainda mais o episódio. Ao agir assim, o Estado envia ao mundo uma mensagem inequívoca: prefere o isolamento à transparência. Prefere o controle à crítica. Prefere o medo ao debate público.

Na Câmara dos Deputados em Brasília, jornalistas foram violentamente expulsos por ordem do deputado Hugo Motta para impedir o registro da retirada forçada do deputado Glauber Braga da mesa diretora. O objetivo era claro: impedir que a violência política fosse documentada, registrada e tornada pública. A cena, embora em outro contexto e país, dialoga diretamente com o que ocorreu na Venezuela: quando o poder se sente ameaçado pela imprensa, o primeiro alvo é quem registra os fatos.

Ambos os casos revelam a mesma lógica: o poder prefere o silêncio à exposição, o controle à crítica, a força ao debate. Quando isso acontece, pouco importa o discurso oficial, a ideologia declarada ou o país em questão. O método é o mesmo.

É preciso afirmar com clareza: não existe democracia possível sem imprensa livre. A liberdade de imprensa não é concessão, nem favor institucional, é um direito coletivo e constitucional. Quando jornalistas são calados, não é a imprensa que perde; é a sociedade inteira que fica às cegas.

Estados, governos ou lideranças que temem jornalistas, na verdade, temem a história sendo escrita por quem não é seu correligionário.

Por
Eli Mariotti


A megaoperação policial que varreu o Complexo da Penha e do Alemão nesta terça (28) entra para a história não pela eficácia, mas pelo horror. Os mais de 120 mortos, no que se tornou a ação mais letal da história do Rio de Janeiro mostra que por trás dos números, que o governo estadual tenta justificar como “confrontos” com o tráfico, há um rastro de dúvidas sobre as reais motivações, a seletividade da força e o preço pago em vidas humanas em plena temporada eleitoral.

Como se não pudesse ficar pior, no dia seguinte, os próprio moradores tiveram que resgatar dezenas de cadáveres nas matas próximas ao entorno da operação. Uma obrigação legal do Estado.

O governador Cláudio Castro, expressão da extrema direita e da política de extermínio travestida de “lei e ordem”, promoveu um verdadeiro *terrorismo de Estado*. Enquanto ele acusa o tráfico de praticar “narcoterrorismo”, o que se viu foi o Estado aterrorizando as comunidades, com um contingente de 2.500 policiais mobilizados contra uma única região Rio e uma única facção — o Comando Vermelho.

A pergunta que ecoa é simples e perturbadora: por que tamanha concentração de força? Por que a Penha/Alemão sob o domínio do CV e não uma ação mais ampla que atingisse também outras facções, como o Terceiro Comando Puro ou os Amigos dos Amigos? E, principalmente, por que não enfrentar as milícias — grupos formados em sua maioria por agentes de segurança da ativa, da reserva ou exonerados (expulsos) — que controlam vastos territórios do estado, elegem representantes nas casas legislativas, assim como prefeituras e são tratados com condescendência pelo poder público no estado?

Há uma suspeita grave pairando sobre o ensanguentado ar carioca, o uso do aparato policial como instrumento político para limpar áreas dominadas por facções rivais e abrir caminho para a expansão miliciana. Essa dinâmica perversa transforma a violência em ferramenta eleitoral e o sofrimento das favelas em palanque. Não à toa, as milícias, assim como as facções, já se infiltraram na política institucional, tecendo uma rede de poder que une o crime, a economia ilegal e o Estado.

Em meio as mortes, o governador politizou ainda mais o episódio, afirmando que o Rio “estava sozinho” e não recebeu apoio do governo federal. A acusação soa oportunista: Castro nunca solicitou ajuda ao Governo Federal e foi um dos mais duros críticos da PEC da Segurança Pública, que justamente buscava integrar esforços entre estados e União. O discurso de isolamento, portanto, registra mais uma peça de campanha do que um fato administrativo.

É justamente essa integração com o Governo Federal que se faz urgente e indispensável. O crime organizado já não é mais local — ele é interestadual e internacional. O enfrentamento eficaz exige medidas conjuntas: inteligência policial compartilhada, rastreamento de fluxos financeiros, controle integrado de fronteiras, coordenação das forças de segurança e políticas sociais permanentes que ocupem o espaço deixado pela ausência do Estado nas comunidades. Sem essa cooperação estratégica, as operações continuarão sendo paliativos brutais, produzindo mortes sem atingir o coração do problema.

A Operação Carbono Oculto foi uma megaoperação deflagrada em 28 de agosto de 2025 que tinha como alvo um sofisticado esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no setor de combustíveis, vinculado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e não teve uma morte sequer, seja do lado das forças de segurança ou do crime.

Essa operação é um importante exemplo que marca um passo decisivo no combate ao crime organizado, pois mostra como grupos criminosos passaram a se infiltrar e se beneficiar não só de atividades típicas de tráfico, mas também da economia formal — como o setor de combustíveis e o mercado financeiro — operando de maneira nacional e sofisticada.

A suspeita de que a operação no Complexo da Penha e do Alemão teve motivações eleitorais é inevitável. 
- O Doca, o chefe do tráfico e objetivo da operação nos complexos, foi preso ou morto?
- Em que circunstâncias houve tantas execuções nas matas do entorno dos complexos?
- O Complexo do Alemão e da Penha estão livres do tráfico? O estado retomou os territórios?
Não há respostas para estas perguntas nas declarações do Cláudio Castro ou do comando da operação.

Em épocas de disputa por votos, a vida nas comunidades parece perder valor. A ação na Penha soa como um recado político — um espetáculo sangrento voltado a setores do eleitorado que aplaudem o discurso da violência como solução, enquanto as famílias das vítimas choram sem voz nem justiça.

No Rio, não existe uma face do estado que ouça estas vozes, que vivem assustadas e com medo. O Crime não pode ser mais forte que o Estado, que também não pode ser mais criminoso que o Crime.

A história mostra que regimes autoritários sempre tentam vender força como sinônimo de ordem. Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini declarou ter “eliminado a máfia”. Quase um século depois, a máfia continua viva — assim como o crime organizado e as estruturas de poder que se alimentam dele.

Da Penha e do Alemão emerge um grito que o Brasil não pode ignorar, está mais do que na hora da população, especialmente as comunidades reféns do crime e da violência estatal, banir da política os extremistas que fazem do sangue um projeto de poder. O voto é secreto, mas a consciência é pública.

No entanto, a medida mais vital para evitar mortes é a ocupação pós-confronto. A presença do estado não pode terminar com o último tiro. É imperativa a entrada imediata e massiva de políticas públicas nas comunidades em poder do crime: segurança comunitária(UPPs), escolas, postos de saúde, programas de renda e acesso à Justiça.

Fato é que morreram 4 policiais, um deles com apenas 40 dias de corporação. A pergunta é: Quantos criminosos e quantos civis inocentes foram assassinados lado a lado nesta operação desastrada e trágica? O Estado irá fazer essa separação na contagem dos mortos?

É preciso lembrar que, além da urgente mudança nas políticas de Segurança Pública, como a PEC da Segurança que o Congresso tem obrigação de aprovar, é também nas urnas, que o país pode, enfim, romper o ciclo de fascismo, conivência e morte — e escolher um caminho onde segurança não signifique massacre, e a política não continue lavada no sangue do seu próprio povo.

É preciso banir da política a gana assassina da extrema direita, que tem na figura do Governador Cláudio Castro, um de seus mais significativos expoentes no Rio de Janeiro.

Eli Mariotti




A notícia de que a venezuelana María Corina Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz surpreendeu o mundo e supostamente até mesmo ela, que declarou: “Estou chocada”— e confesso que também me chocou. Não pelo estranho reconhecimento em si, mas pelo simbolismo político que essa escolha carrega.

Mas se eu fiquei chocado, será que Corina estava realmente chocada? Ora, se ela foi indicada para o prêmio por Marco Rubio, que todos sabemos quem é, como ela não saberia disto? A tão falada influência dos governos norte americanos no Nobel é de conhecimento geral no planeta. Mas porque o Nobel, que é europeu e tem influência direta da União Europeia, se deixa dirigir pela política externa norte americana?

Será por subserviência? Não creio. O fato é que os interesses norte americanos se enquadram exatamente na visão colonial que a Europa tem do chamado Terceiro Mundo, nesse caso em especial, a América Latina. 

A cada nova premiação, o Comitê Nobel revela mais de si do que de seus laureados. E neste caso, o prêmio parece dizer menos sobre a paz na Venezuela e mais sobre o olhar com que a Europa ainda enxerga a América Latina: um olhar de tutela, de missão civilizatória, de poder moral sobre o destino alheio.

O argumento oficial para o prêmio é conhecido: Corina teria sido agraciada por sua “luta pacífica pela democracia” e pela “resistência ao autoritarismo”. Mas, na prática, trata-se de uma figura cuja atuação política foi marcada pela polarização, pela instabilidade e pelo alinhamento direto com os interesses de Washington e Bruxelas. 

É portanto, legítimo questionar se o Nobel, nesse caso, premiou uma defensora da paz — ou apenas uma peça simbólica na engrenagem geopolítica ocidental.

Não entro aqui no mérito do governo Maduro. O que observo é o fato histórico e sociopolítico de que, mesmo com todas as dificuldades, ele tem apoio majoritário do povo venezuelano — o que o torna, ao menos sob o ponto de vista da soberania, uma expressão legítima de um projeto nacional. 

A oposição, por sua vez, tem sido minoritária e sempre dependente do respaldo externo. Então, quando a Europa escolhe Corina como “símbolo da paz”, o que ela faz é legitimar uma oposição que internamente não conseguiu legitimidade nas urnas. Isso não é diplomacia, é interferência política simbólica.

E além de tudo, esse prêmio ainda pode incentivar ou até mesmo legitimar o assédio militar que os Estados Unidos do Governo Trump vêm fazendo a Venezuela. Fato que ao contrário de promover a paz, pode gerar uma crise geopolítica de proporções inimagináveis na América Latina.

Essa não é a primeira vez que o Nobel da Paz se torna um instrumento político. Henry Kissinger o recebeu em 1973, mesmo sendo o estrategista de bombardeios no Vietnã. Barack Obama o ganhou antes mesmo de governar, como prêmio pela esperança, por ser o primeiro presidente negro do Estados Unidos. 

Aliás tenho sérias sérias suspeitas que a direita global se apropriou do identitarismo aí. Mas isso é assunto para outro artigo, e quando eleito presidente, Obama na prática não promoveu a paz. Em alguns momentos foi o contrário.

E é verdade que Yasser Arafat também recebeu o Nobel, em 1994, mas sua luta não pode e nem deve ser comparada a esses casos. Arafat ainda representa uma resistência histórica por um Estado palestino, uma causa humanitária e de justiça social que transcende fronteiras e desafia todas as escalas convencionais da política mundial. 

O Oriente Médio nesse contexto, é um território de dores e de resistências que fogem a qualquer paralelo. Arafat não foi premiado por conveniência, mas reconhecido por uma luta que até hoje, continua sendo travada no campo da dignidade humana e contra o genocídio palestino.

Já no caso de Corina, o prêmio não parece traduzir um gesto de reconhecimento à paz, mas um recado político. O Nobel da Paz historicamente reflete os dilemas do próprio Ocidente. Ora tenta reparar sua consciência, ora reafirma sua influência. 

O caso da Venezuela expõe exatamente isso — o uso do prestígio moral europeu como ferramenta de interferência nos rumos latino-americanos.

O colonialismo europeu, afinal, nunca desapareceu. Apenas trocou de roupa. A Europa que dividiu o continente em 1494 no Tratado de Tordesilhas, que saqueou o ouro do Brasil e a prata de Potosí, que impôs sua fé e sua língua aos povos nativos, continua hoje impondo sua narrativa e seu julgamento sobre o que é democracia, liberdade e paz.

Depois das independências latino americanas, os grilhões mudaram de forma, mas não de essência. No século XIX vieram os empréstimos britânicos e as ocupações francesas sob o pretexto de cobrar dívidas. No século XX, o colonialismo vestiu terno e gravata, FMI, Banco Mundial, planos de ajuste e doutrinas econômicas importadas que submeteram nossos povos à dependência. 

E no século XXI, o colonialismo se tornou simbólico — o poder de quem narra o mundo. Quando a BBC, o Le Monde ou o El País decidem o que é democracia ou autoritarismo na América Latina, estão em essência reafirmando a velha hierarquia de quem fala e quem é falado.

Premiar Corina Machado, é portanto, reafirmar o mito civilizatório europeu. A ideia de que a América Latina precisa ser “corrigida e ensinada”, guiada pela razão ocidental. 

A mesma arrogância que justificou a catequese indígena e a pilhagem de Potosí agora se disfarça de diplomacia humanitária e de reconhecimento moral. A retórica muda, mas o gesto é o mesmo, a negação da soberania e da maturidade política de nossos povos latino americanos.

Enquanto isso, seguem explorando o lítio, o nióbio, a Amazônia, o gás da Bolívia e a soja brasileira. Continuam comprando barato e vendendo caro, ensinando “democracia” e praticando protecionismo. 

E agora, premiam opositores de governos que não se curvam aos seus interesses estratégicos. O Nobel, nesse contexto não é uma celebração da paz, não passa de uma extensão da política externa colonialista.

Por isso, repito, quando Corina declarou estar “chocada” com o prêmio, confesso que me identifiquei. Também estou. Mas o meu choque é outro, meu choque é perceber como o velho colonialismo europeu disfarçado de reconhecimento moral, continua decidindo quem são os heróis e os vilões da América Latina.

E enquanto isso, seguimos tentando ser ouvidos — não como discípulos, mas como povos livres e auto determinados.

Por Eli Mariotti




A campanha eleitoral, especialmente no contexto de disputas majoritárias como as eleições municipais, tem se tornado um campo fértil para o uso de estratégias manipulativas e ofensivas, principalmente por parte de candidatos que adotam uma retórica extremista, típica da extrema direita. Um exemplo claro desse comportamento é visto nas atitudes do candidato Ricardo Marçal, que disputa a prefeitura de São Paulo. Suas ações e discursos ilustram táticas que não apenas desarmam seus adversários, mas também utilizam uma retórica ambígua para atacar por flancos previamente preparados com palavras amigáveis. Vou detalhar essa estratégia e explorar algumas das situações em que ela foi usada.

A Tática da Ambiguidade: Desarmar para Atacar

Uma das características centrais da estratégia de Marçal é a utilização de declarações aparentemente conciliatórias para, logo em seguida, desferir ataques diretos e calculados. Este método envolve a criação de uma falsa sensação de desarmamento, em que o adversário acredita que um tema ou questão foi resolvido de forma pacífica, apenas para ser surpreendido por um ataque subsequente.

Esse comportamento foi exemplificado depois de um pedido de perdão a José Luiz Datena anterior ao debate na TV Cultura. Marçal pediu perdão ao apresentador por atitudes anteriores, em um gesto que poderia ser interpretado como genuíno e conciliatório. No entanto, poucos dias depois, durante o debate citado, ele voltou a atacá-lo. A tática aqui é clara: ao desarmar temporariamente o adversário com um pedido de perdão, Marçal busca pega-lo desprevenido, expondo suas fragilidades quando menos se espera.

Outro exemplo revelador foi seu comportamento em relação ao atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Antes do debate desta terça, no UOL/Rede TV, Marçal mandou um bilhete a Nunes, afirmando que não desejava envolver a família nos ataques da campanha, declarando sua intenção de focar nos aspectos políticos. No entanto, logo depois, ele atacou diretamente a família do prefeito, na pessoa de sua esposa. Novamente, temos a estratégia de desarmar previamente o flanco que será atacado. Ao afirmar que respeitaria um limite ético (não atacar a família), Marçal abre o caminho para que, quando o ataque ocorra, ele já tenha minado a resistência do adversário e desviado a atenção da crítica.

A estratégia de ser contra o crime mesmo acusado de fazer parte dele

Marçal também se coloca como um opositor ferrenho do crime organizado, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Contudo, surgiram relatos e processos criminais que sugerem um possível envolvimento de sua campanha com o crime, seja diretamente ou por meio de alianças obscuras. Esta contradição reflete outra faceta da estratégia: projetar uma imagem de opositor para esconder possíveis vínculos ou ações que vão na direção oposta ao discurso. Neste caso, a retórica de Marçal se constrói como um defensor da moralidade e da ordem, mas seus vínculos parecem contradizer diretamente essa imagem, novamente minando a confiança do público e adversários.

Em debates e declarações, Marçal também aplicou essa mesma técnica contra Tábata Amaral. Embora tenha inicialmente adotado um discurso de respeito à jovem parlamentar, posicionando-se como alguém que dialoga com novas ideias, rapidamente ele mudou o tom, utilizando questões pessoais e políticas contra ela. Esta alternância entre discurso amigável e ataques calculados faz parte de uma estratégia para confundir os adversários e criar um ambiente no qual eles não estão preparados para se defender adequadamente.

Como classificar as estratégias da “nova” extrema direita:

Essa estratégia, frequentemente utilizada ultimamente por políticos de extrema direita, pode ser classificada como uma forma de "desarmamento retórico seguido de ataque". Ela se baseia em quatro pilares:

  1. Desarmamento temporário: Criar um ambiente de aparente paz e conciliação, geralmente por meio de desculpas públicas, declarações de respeito ou negações de intenção de ataque.
  1. Ataque por flancos desguarnecidos: Utilizar os momentos seguintes ao desarmamento para atacar justamente o ponto que foi previamente protegido com palavras conciliatórias.
  1. Contradição intencional: Lançar mão de discursos contraditórios, como dizer-se contra o crime organizado enquanto mantém vínculos suspeitos, para confundir o público e dividir a narrativa.
  1. Manipulação da imagem pública: Criar uma imagem de defensor da moralidade e da ordem, enquanto usa táticas inescrupulosas para lacrar nas Redes Sociais, cujo maior objetivo é enfraquecer os adversários.
Políticos experientes que são pegos pela rede da mediocridade

Essa estratégia, que tem sido frequentemente usada por figuras da extrema direita, pode ser vista como habilidosa em um nível estratégico, mas não necessariamente brilhante. Ela é eficaz, especialmente quando os adversários não estão preparados para responder a mudanças rápidas de postura. No entanto, essa estratégia não é inovadora nem complexa – é uma técnica básica de desorientação, onde o foco está em criar uma falsa sensação de segurança para depois atacar em um momento de vulnerabilidade.

Em debates e campanhas eleitorais, os candidatos muitas vezes se preparam para confrontos diretos e esperam que os ataques sejam feitos de forma previsível. Marçal tira vantagem disso ao alternar entre o discurso de conciliação e o ataque, criando um ciclo de confusão que pega os oponentes desprevenidos. Essa técnica funciona principalmente quando os adversários são excessivamente focados em suas próprias defesas e não estão atentos às mudanças de comportamento do oponente.

Por outro lado, o fato de ser uma estratégia básica pode também expor suas limitações. Se os adversários antecipam esse padrão de comportamento, a tática se torna previsível e perde força. É uma abordagem que depende muito da surpresa e da capacidade de desarmar psicologicamente o oponente, mas não necessariamente de um conteúdo ou habilidade mais substancial.

Em resumo, não é uma tática brilhante, mas sim eficaz na exploração de falhas na preparação dos adversários. Adversários mais experientes e atentos podem desarmá-la facilmente, transformando o ataque em uma oportunidade de expor a inconsistência e a desonestidade do candidato.

A utilização de tais táticas, como as exemplificadas por Marçal, tem consequências profundas para a política. Elas criam um ambiente de desconfiança, polarização e desgaste das relações entre candidatos, partidos e eleitores. Além disso, o uso de tais métodos pode resultar em um enfraquecimento do debate público, uma vez que o foco se desvia de políticas públicas e propostas concretas, deslocando-se para o campo das trocas de acusações e manipulações.

O comportamento de Ricardo Marçal em sua campanha é um reflexo de uma tática política que visa desorientar e enfraquecer os adversários por meio de um discurso contraditório e manipulação. Para enfrentá-la, é essencial que os candidatos e o público estejam conscientes dessas técnicas e preparados para expor suas inconsistências e perigos ao debate democrático.

"Quando estamos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe; quando longe, fazê-lo acreditar que estamos perto."

Sun Tzu - A arte da guerra



A relação entre os partidos políticos e seus representantes regionais é um tema que frequentemente gera debates sobre alinhamento ideológico e fidelidade às diretrizes nacionais. 

No caso do Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba, particularmente em João Pessoa, essa questão se torna ainda mais relevante ao analisarmos o apoio de membros do diretório estadual e municipal ao prefeito Cícero Lucena, que contraria os princípios e o programa de governo defendido pelo PT em nível nacional. 

Tal postura gera indignação entre os filiados, pois evidencia uma tendência ao fisiologismo e ao distanciamento dos compromissos éticos firmados pelo partido com a população.

O fisiologismo, caracterizado pelo apoio político com base em trocas de favores e interesses pessoais em detrimento do bem comum, compromete a credibilidade de qualquer partido que se proponha a atuar de forma transparente e responsável. 

No caso em questão, os membros que insistem no apoio ao prefeito Cícero Lucena estão, na visão dos críticos, traindo as diretrizes nacionais do PT, que visam à construção de uma política voltada para o interesse popular, com foco no desenvolvimento social e econômico das comunidades mais vulneráveis.

A intervenção da direção nacional do partido, no sentido de forçar uma candidatura própria, a pedido do partido inicialmente, surge como uma tentativa de resgatar a coerência e a unidade interna. 

O PT, historicamente vinculado às pautas de justiça social, direitos humanos e políticas públicas inclusivas, encontra-se, assim, em uma encruzilhada e divergência entre a maioria dos militantes e filiados que querem manter sua identidade ou e o grupo minoritário que está na gestão do partido que cedem aos apelos do pragmatismo fisiológico que se traduz em alianças questionáveis e por isso trabalham em detrimento da campanha eleitoral do candidato 13, Luciano Cartaxo a prefeitura de João Pessoa.

Ademais, ao apoiar uma administração que adota práticas administrativas consideradas contrárias aos princípios defendidos pelo PT, os membros do diretório estadual e municipal perderam a confiança da base militante e dos eleitores que acreditam nos ideais progressistas do partido. A postura deles também revela um distanciamento entre as lideranças nacionais e os anseios da população de João Pessoa, que sofre as consequências de uma gestão pública que não prioriza os interesses coletivos e o real desenvolvimento da Capital da Paraíba.

Em conclusão, o apoio ao prefeito Cícero Lucena por parte de membros do PT na Paraíba representa um desvio ético grave que compromete a coesão partidária e a defesa de princípios essenciais para o partido. Em tempos de crise política e social, é fundamental que os partidos mantenham uma postura de integridade e respeito às suas diretrizes, visando sempre o bem-estar da população e a construção de uma sociedade mais justa.

O agravante desta postura anti ética e fisiologista de gestores do PT da Paraíba e de João Pessoa, se dá ainda mais pelo fato de que o presidente Lula apoia o candidato pelo PT, Luciano Cartaxo, o que configura um sério motim contra o próprio presidente Lula, liderança incontestável do partido e as lideranças nacionais do PT - Partido dos Trabalhadores.


O futebol brasileiro, um dos maiores símbolos culturais do país, é conhecido mundialmente por sua paixão e talento. No entanto, em várias ocasiões, a integridade do esporte foi comprometida por escândalos de corrupção que mancharam a sua história. Três dos maiores escândalos foram a Máfia das Loterias (1982), a Máfia do Apito (2005) e, mais recentemente, a chamada Máfia das Bets, que explodiu em 2023. Cada um desses eventos envolveu manipulação de resultados e interesses financeiros ilícitos, impactando a credibilidade do futebol brasileiro.

Um vídeo curto do jornalista Chico Pinheiro para o ICL (Instituto Conhecimento Liberta) de 1 minuto e 20, chama a atenção pela ênfase dada a Máfia das Bets. Depois de uma minuciosa pesquisa, escrevo esta matéria com detalhes que alertam para um problema, que como diz Chico, ninguém está dando a devida importância na imprensa esportiva nacional.

Máfia das Loterias (1982)

Em 1982, o Brasil foi sacudido por um escândalo que envolveu a manipulação de resultados de jogos de futebol para fraudar o resultado da Loteria Esportiva. A Loteria Esportiva, na época, era extremamente popular, e os jogos de futebol eram fundamentais para o funcionamento do sistema de apostas.

A fraude foi descoberta após a revelação de que um grupo de pessoas, incluindo jogadores, dirigentes e apostadores, estava combinado para manipular os resultados das partidas. O objetivo era garantir que certos resultados ocorressem, permitindo que os fraudadores ganhassem prêmios na Loteria Esportiva. O escândalo levou a uma série de investigações, com prisões e suspensões de envolvidos, mas os danos à credibilidade do futebol brasileiro já estavam feitos. A confiança do público na integridade do esporte foi severamente abalada.

A Máfia do Apito (2005)

Em 2005, o futebol brasileiro enfrentou outro grande escândalo, conhecido como a Máfia do Apito. O esquema foi revelado pelo jornalista André Rizek e envolvia a manipulação de resultados de jogos do Campeonato Brasileiro por um grupo de árbitros liderados pelo então árbitro Edílson Pereira de Carvalho. O esquema consistia em manipular os resultados para beneficiar apostadores em sites de apostas.

Edílson Pereira de Carvalho recebia subornos para garantir que certas equipes vencessem ou perdessem de acordo com as apostas feitas. Quando o esquema foi descoberto, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu anular 11 partidas do Campeonato Brasileiro de 2005, todas arbitradas por Edílson. As partidas foram remarcadas, mas o escândalo deixou uma mancha indelével na reputação do futebol nacional.

Máfia das Bets (2023)

O mais recente escândalo que abalou o futebol brasileiro é a chamada Máfia das Bets, um esquema de manipulação de resultados que veio à tona em 2023. O termo "Bets" refere-se às apostas esportivas, que nos últimos anos passaram por uma explosão de popularidade, em parte devido à legalização e regulamentação do setor no Brasil. Com o aumento das apostas, também surgiram oportunidades para esquemas ilícitos que visam manipular resultados de jogos de futebol, muitas vezes envolvendo jogadores, árbitros e dirigentes.

O Esquema, investigação e impactos

A Máfia das Bets funciona de maneira semelhante à Máfia do Apito, mas com a diferença de que agora as apostas são feitas em plataformas online, muitas delas operando fora do Brasil. O esquema envolve subornos a jogadores e árbitros para que manipulem o resultado de jogos específicos, garantindo que certas apostas sejam vitoriosas. Essas apostas podem variar desde o placar final até eventos específicos dentro do jogo, como número de cartões ou escanteios.

Em 2023, a Polícia Federal e o Ministério Público iniciaram uma grande investigação, batizada de "Operação Penalidade Máxima", para desmantelar a Máfia das Bets. A investigação revelou que jogadores de diversas divisões do futebol brasileiro estavam envolvidos no esquema, recebendo quantias consideráveis para manipular resultados. Alguns jogadores foram presos, enquanto outros foram suspensos e estão sendo processados.

O escândalo atingiu um nível preocupante devido à abrangência do esquema, que não se limitava a uma liga ou região específica, mas envolvia jogos em várias divisões e estados. Além disso, a facilidade de acesso às plataformas de apostas online tornou o esquema ainda mais difícil de detectar e combater, aumentando o risco de manipulação de resultados em um cenário globalizado.

A repercussão do escândalo foi intensa, com torcedores, jogadores e autoridades expressando indignação. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e outras entidades do esporte estão trabalhando em conjunto com as autoridades para combater o problema, implementando novas medidas de monitoramento e regulamentação das apostas esportivas. No entanto, o impacto sobre a credibilidade do futebol brasileiro já é significativo, e o desafio agora é restaurar a confiança do público e assegurar a integridade do esporte.

Quem pode estar envolvido

Vários jogadores foram identificados e estão sendo investigados por supostamente aceitarem subornos para manipular resultados ou eventos específicos dentro dos jogos. Entre os jogadores citados, há tanto atletas de times da Série A quanto de divisões inferiores, o que mostra a extensão do problema em diferentes níveis do futebol brasileiro.

Alguns técnicos também foram mencionados nas investigações, suspeitos de conivência com o esquema, seja por permitir que jogadores participassem da manipulação ou até mesmo por orientá-los a influenciar o resultado de uma partida.

Há indícios de que alguns dirigentes de clubes estariam envolvidos, facilitando o acesso dos apostadores aos jogadores ou recebendo uma parte dos lucros provenientes das apostas fraudulentas. A investigação está focada em entender se houve um esquema organizado dentro de certos clubes, onde dirigentes poderiam ter controlado ou incentivado a manipulação.

Empresários e agentes de jogadores também estão sob investigação, especialmente aqueles que possuem grande influência na carreira dos atletas. Eles podem ter usado essa influência para coagir ou convencer jogadores a participar do esquema.

Alguns empresários, que atuam como intermediários entre jogadores e plataformas de apostas, estão sendo investigados. Esses indivíduos podem ter sido responsáveis por orquestrar a manipulação de resultados, garantindo que as apostas fossem bem-sucedidas em troca de grandes lucros.

Há também menções a empresários com grande participação no futebol nacional, que podem ter usado suas conexões para facilitar o esquema. Esses empresários podem ter influenciado diretamente dirigentes e jogadores.

Até agora, não há nomes específicos de políticos de alto escalão envolvidos diretamente na Máfia das Bets, mas investigações apontam para uma possível influência indireta. Isso inclui a omissão de certas figuras políticas em relação à regulamentação das apostas esportivas, ou até mesmo o favorecimento de certos grupos empresariais que poderiam ter facilitado a operação do esquema.

A possibilidade de lobby político para proteger os interesses de plataformas de apostas ou grupos envolvidos no futebol também está sendo investigada. Esse tipo de envolvimento pode ser mais sutil, mas igualmente prejudicial, pois cria um ambiente onde a manipulação de resultados pode prosperar sem consequências severas.

Conclusão

Os escândalos de corrupção no futebol brasileiro, desde a Máfia das Loterias em 1982 até a recente Máfia das Bets em 2023, refletem a vulnerabilidade do esporte diante de interesses financeiros ilícitos. A cada nova revelação, a confiança do público é abalada, e o desafio de preservar a integridade do futebol se torna mais complexo.

As apostas esportivas, especialmente em um ambiente digital, apresentam novos desafios que exigem uma abordagem robusta e inovadora para proteger o esporte que é um símbolo nacional. O futuro do futebol brasileiro depende da capacidade de aprender com esses escândalos e implementar medidas eficazes para evitar que eles se repitam.

Assista o vídeo do Chico Pinheiro no YouTube


A maior treta de cibersegurança nos EUA em agosto foi o vazamento de 2,7 bilhões de números de segurança social (algo parecido com o nosso CPF). Quem assumiu a bronca foi o grupo USDoD, que já invadiu várias empresas pelo mundo. Agora, uma investigação descobriu quem pode ser o cabeça do grupo: um cara chamado Luan, que é brasileiro.

Um relatório da CrowdStrike, recebido pelo TecMundo, revelou que o tal líder do USDoD seria um homem de 33 anos chamado Luan B.G., que mora em Minas Gerais, Brasil.

Todas as informações sobre ele já foram passadas para as autoridades. Conseguiram identificar até registro fiscal, emails, domínios, endereços IP, contas de redes sociais, telefone e cidade. Não revelaram detalhes específicos ao TecMundo para não expor o Luan totalmente.

“Revelar a identidade de alguém num relatório de inteligência tem seus riscos. Apesar do cara estar envolvido em atividades maliciosas na internet, a vida pessoal dele — como família, fotos e outras coisas — precisa ser protegida, a não ser que tenha algo a ver com a investigação”, disse a CrowdStrike.

O grupo USDoD apareceu nos últimos meses, alegando ataques a várias empresas e organizações. Eles participam de um fórum de cibercriminosos chamado Breach Forums e ficaram conhecidos por vazar dados de empresas como Airbus, Agência de Proteção Ambiental dos EUA, e até o FBI.

O ataque mais recente, que deu o que falar, foi contra a Jericho Inc (National Data Public), dos EUA. Eles roubaram 2,9 bilhões de registros, o equivalente a 277 GB de dados, e colocaram à venda por US$ 3,5 milhões (mais ou menos R$ 19,7 milhões). Esses dados incluíam nomes completos, históricos de endereços dos últimos 30 anos e detalhes de parentes das vítimas.

O grupo também sugeriu que teria invadido a CrowdStrike e vazado dados confidenciais, mas a empresa diz que eram informações que já estavam disponíveis para o público e clientes.

RAMSOWARE

Há boatos de que os ataques do USDoD usaram um tipo de vírus chamado ransomware, e que eles teriam pegado emprestado o malware de outro grupo famoso, o RansomMed.

A investigação da CrowdStrike apontou que Luan B.G. tem um passado como hacktivista, começando lá em 2017, e que em 2022 ele teria começado a se envolver com crimes cibernéticos mais pesados.

Hacktivismo não é sempre crime. Às vezes, é só alguém que usa a internet para defender causas políticas. Mas, no caso do Luan, o que ligou ele aos crimes foi o uso das mesmas descrições de perfil em redes sociais.

“A CrowdStrike está de olho no USDoD desde o final de 2022, quando o grupo afirmou pela primeira vez que acessou dados de uma parceria público-privada dos EUA. Desde então, já relatamos a atividade do USDoD mais de 12 vezes”, disse a empresa.

O HACKER DEIXOU RASTROS

A identificação de Luan foi possível por causa do email que ele usava desde 2017 (“luanbgs22@”), que estava associado a várias contas pessoais e atividades online dele. Ele usava esse email para criar contas em fóruns, editar páginas no GitHub com ferramentas de ataque cibernético, e até para registrar domínios de projetos de hacking.

Um dos detalhes que chamou a atenção foi uma frase que ele usava no Instagram: “I Protect the hive. When the system is out of balance, I Correct” (algo como “Eu protejo a colmeia. Quando o sistema está desequilibrado, eu corrijo”). Essa mesma frase e o email estavam ligados à conta @equationcorp no Twitter.

O cara ainda usava vários apelidos nas redes, como NatSec, NetSec, LLTV, LBG91 e Labs22. A CrowdStrike diz que ele não tinha muito conhecimento técnico no começo, o que facilitou a identificação, principalmente por causa de fotos de perfil e emails.

A VAIDADE DO CRIMINOSO

A vaidade é comum entre cibercriminosos que atacam grandes empresas. Entre 2021 e 2022, outro grupo chamado Lapsus fez o mesmo, atacando empresas como Samsung, Claro, Ministério da Saúde, Rockstar, NVIDIA, JBS e outras.

O USDoD seguiu um caminho parecido. O líder do grupo deu uma entrevista ao site DataBreaches.net em 2023, o que ajudou ainda mais na sua identificação. Na entrevista, ele disse que tinha cerca de 30 anos, dupla cidadania (Brasil e Portugal) e que atualmente morava na Espanha.

Ele contou que começou em 1999, quando tinha 11 anos e entrou numa comunidade brasileira de jogos. Lá, usou suas habilidades para derrubar um pedófilo e foi incentivado por um desenvolvedor do software r3x a aprimorar suas habilidades.

Mas em 2023, ele percebeu que estava se entregando demais e disse no X (antigo Twitter) que todas as informações públicas sobre ele eram desinformações, e até afirmou que tinha cidadania norte-americana.

Não foram só emails e contas de fóruns que entregaram Luan. Em julho de 2024, o fórum cibercriminoso BreachForums sofreu um vazamento que expôs até o IP de seus usuários. Com esses dados, a CrowdStrike descobriu que Luan enviava mensagens de um ISP brasileiro com GeoIP em Minas Gerais.

Em resumo, a CrowdStrike já entregou todas as informações para as autoridades e acredita que o USDoD vai continuar com suas atividades, mas que Luan deve negar as informações ou tentar convencer a galera de que eles erraram ao vinculá-lo ao grupo.

A CrowdStrike afirma que Luan B.G. ainda quer ser reconhecido nas comunidades hacktivistas e cibercriminosas, então provavelmente não vai parar tão cedo.

 

Imagem da Internet


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-Oooiiiiiii

Não, não estava sendo mal educado em não responder no messenger, aplicativo de mensagem do Facebook. Só não entendia porque uma garota de seus 16,17 anos aparentemente queria conversar com alguém muito mais velho do que ela.

Há vários meses venho recebendo pedidos de amizade no Facebook, de supostas jovens que agem como adultas, e assim que aceitava, elas tentavam iniciar um diálogo pelo aplicativo de mensagens da plataforma. Como eu tenho o hábito de visitar qualquer perfil que me pede amizade antes de aceitar, houve inclusive quem eu não aceitei a amizade, mas mesmo assim, o perfil tentava iniciar um diálogo do mesmo modo que mencionei acima.

O padrão é esse: jovens muito bonitas, sempre do Rio Grande do Sul com poucas fotos no perfil da plataforma, mas com shortinhos sensuais, fotos na frente do espelho, fazendo biquinho além de uma ou duas fotos com criança para aparentar um ambiente familiar. Detalhe. Não existe fotos com famíliar, pai, mãe, etc.

Vou contar de forma resumida, que recentemente uma jovem me pediu amizade, no mesmo estilo das outras. Fiquei curioso, minha intuição jornalística me avisava que tinha golpe nessa história. Mas antes de aceitar, acionei o Google e fiz uma pesquisa na internet sobre jovens que visitavam facebook de pessoas mais velhas.

Fiquei espantado com a quantidade de denúncias matérias, vídeos, etc que denunciavam o "Golpe dos Nudes". Tudo no Rio Grande do Sul. Muita coisa sobre o tema. E naquele momento a minha verve jornalística, ainda que mediana, me alfinetou para que eu desse continuidade as estas conversas.

E assim aceito a amizade, respondo e dou corda. "Ela" pergunta se estou bem, o que eu faço, conversa normal, até que ela coloca o número do whatsapp sem a menor cerimônia. É modus operandis. 

Muito bem, adicionei no zap, conversa vem, conversa vai, chegou um momento em que ela disse que ira tomar banho e depois retornava. Perguntei a idade dela: 15 anos. Fingi que estava chocado e ela foi logo dizendo que gostava de homens mais velhos. Quando retorna, recebo uma foto de calcinha e sutiã da menina, dizendo que estava secando os cabelos.

Não era uma foto real. Mas vamos em frente.

Eu escrevo expressões de surpresa, ela disse que não tem problema e repetiu novamente que gostava de homens mais velhos, desta vez demonstrando certa indignação pela minha reação. Prestem atenção no detalhe. Essa afirmação é o gatilho pra que os homens comecem a cair na armadilha. Claro, e a foto dando a ideia que foi tirada em tempo real, fechava o teatro para o otário cair direitinho. Ainda enviou outra foto no banheiro secando o cabelo, de calcinha e sutiã e enviou.

Foi pra cama e na conversa pediu para que eu enviasse fotos. Eu, já atento a dramatização da coisa, usei o mesmo método dos golpistas. Copiei fotos íntimas e públicas da Internet, com enquadramento e sem o rosto e fui enviando com um mecanismo de visualização única pra ver se "ela" pediria fotos que possibilitassem várias visualizações.

Nunca entrou no detalhe da visualização única, mas pedia sempre fotos para ver se eu mandava uma no envio normal. Até que eu vacilei e mandei uma repetida na visualização única. Ela supeitou e  reclamou que eu estava mentindo, que as fotos não eram de tempo real e finalmente alegou que a mãe chegou de surpresa e que precisava tomar seu remédio. Não me respondeu mais.

E aqui vai uma observação: como uma adolescente de 16 anos teria a lucidez ou perspicácia de saber que uma foto não era real, mesmo repetida. E ainda perguntou e era dia em João Pessoa, porque em Porto Alegre já era noite. Ri intimamente na hora. E claro que não era ignorância. Era ironia adulta, não muito comum em uma adolescente.

Mas eu queria me arriscar, saber mais. Fui no perfil em que eu não adicionei a amizade e respondi com boa noite no app de mensagens a mensagem que este perfil havia me mandado. Não demorou um minuto e ela me respondeu. Naquela hora já estava tarde e o sono me invadia. Não respondi e dormi até o dia seguinte.

Amanheceu e vi mais mensagens dela e o número de whatsapp que ela enviou. Novamente o modus operandis. "Elas" enviam o número de whatsapp sem a menor cerimônia. Adicionei. Tenho todo um ritual pra levantar, tomar banho e café quando acordo. Mas não iria perder a oportunidade de confirmar se era o Golpe dos Nudes.

Mesmo modelo da conversa anterior com o outro perfil, ela enviando imagens e falando sacanagens e eu enviando imagens aleatórias da internet com visualização única, até que resolvi enviar uma foto sem este recurso, de forma proposital para dar uma suposta prova de assédio infantil. 

Naquele momento ela me enviou um vídeo, de uma mulher nua no banheiro como se fosse ela, mas claramente o corpo diferia das fotos no face e que ela enviou pelo zap. No vídeo ela estava sentada no chão do banheiro em posição vulnerável de repente um barulho de porta batendo. Surpreendida a garota do vídeo, levanta bruscamente e tudo apaga.

Já notei logo naquele momento, que se ela foi surpreendida gravando um vídeo, jamais conseguiria enviar-me pelo whatsapp. Numa situação destas não daria tempo para apertar o botão de stop e em seguida a seta de enviar no mesmo segundo. O vídeo simplesmente apagou com ela levantando bruscamente.

Não havia dúvidas que era um vídeo que foi retirado de algum site adulto e cortado para fazer de conta que ela havia sido pega no flagra. não aparecia o rosto, só um corpo que não correspondia a um corpo de menina adolescente de 16 anos e ao corpo da foto dela. Era pelo menos uns 6 anos mais velho. Fácil de enganar os desprevenidos.

Fiquei pensando e esperando o que viria a seguir. E foi aí que se deu o desfecho da armação. O ápice do golpe! Se demorou 15 minutos para eu receber uma ligação pelo whatsapp, foi muito. Não havia nem levantado da cama ainda.

A ligação tinha uma imagem no perfil da Delegacia Online do RS. Mas o número era particular, do tipo business, também do código 51-RS. E um homem, que já sabia meu nome, se identificou como delegado e já me acusando de assédio sexual contra menores, me ameaçou e disse que mandaria a PC daqui de João Pessoa me prender sumariamente, por abuso sexual de menores, crimes, etc.

Foi uma verborragia de tantas coisas sem noção e mostrando total desconhecimento de procedimentos e protocolos de uma investigação policial neste caso, ou pelo menos é o que me pareceu. Também apostam na desinformação das pessoas. Bom, assim foi até que começou a extorsão.

Disse que poderíamos entrar num acordo amigável e que alguém da família da jovem entraria em contato. Poderia ter me estendido mais nesse procedimento, mas fui ficando irritado, o que não é profissional, mas fui bem direto e firme e disse que queria receber a intimação e que me interessava saber quem eram eles. E desliguei.

Mas vejam o detalhe: se eu não estivesse programado e preparado pra isso, entraria em desespero como muitos incautos devem ter entrado. Essa técnica é infalível e eles sabem fazer muito bem, tirando, é claro, a ignorância deles dos protocolos policiais. Falha deles. Sendo bandidos e tendo advogados deveriam saber. Ou então simplesmente apostam na ignorância da vítimas do golpe.

Também não demorou 2 minutos depois , recebo uma mensagem pelo whatsapp, de alguém supostamente da família da jovem, me ameaçando, que denunciou, que iria me expor perante amigos, familiares e a sociedade, que iria ficar famoso. Nem me dei ao trabalho de responder. 

Tudo indica que era o delegado em outro número. Se não era, o modus operandis, segundo a Comunicação Social da PC do RS era ter um que se fazia da lei e outro que se fazia da família. Apenas anotei o número, tanto este quanto do delegado e bloqueei. Já tinha chegado ao meu objetivo pelo menos por aquele momento.

Entrei em contato com o whatsapp de Denúncias da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, encaminhei a denúncia do golpe com todos os detalhes e com os números do whatsapp dos criminosos e liguei para a Comunicação Social da corporação no estado para falar com a Assessoria de Imprensa.

O assessor esclareceu ao telefone que o Golpe do Nude é uma prática comum e tem em sua maioria a característica de ser do próprio RS. Mas que eles atuam em outros estados também. Houve inclusive uma investigação em 2021 que desbaratou uma quadrilha especializada neste golpe, e que eles criaram até mesmo, pasmem, uma delegacia fake. Com supostos policiais e tudo. 

Ontem, logo depois de publicar esta matéria neste blog, desbloqueei o número do "delegado" que me ligou na parte da manhã e aguardei apra ver se haveria alguma reação. 

1 minuto depois apenas o cara vem me ameaçando de novo, dizendo que já que eu não teria tido uma conversa amigável com ele, a coisa agora iria esquentar pra mim. O mesmo blá, blá blá. Que eu seria exposto a opinião pública, famílias, amigos por conversar com crianças na internet. Só não ri do meliante, porque esse cara tem o dom de irritar.

Me controlei e fiquei conversando com o malandro, dando mis corda, ele ameaçando de tudo quanto é jeito, até que eu disse que a lei o alcançaria e tal e foi aí que ele soltou a pérola:

- Tô ficando com medo e acho que eu vou fugir daqui, hoje mesmo vou pedir ao guardo para abrir a porta.

Presídio! O cara estava falando comigo do presídio! Ou cadeia. Tanto faz. Se entregou sem mesmo piscar os olhos. Claro que tem cumplices fora das grades. Mas claramente o "Delegado" do DECA-RS estava enjaulado!

Hoje, com mais elementos, fui fazer a denúncia na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Paraíba. E digo uma coisa,  a polícia aqui não veio pra fazer turismo não. A Polícia daqui e de Natal é sangue nos olhos. Fiz o Boletim de ocorrência com a denúncia das ameaças, para que houvesse mecanismos par se iniciar uma investigação, acionando também a Polícia Civil do RS. 

Pois bem, agora a tarde, recebi mais uma ligação, desta feita de outra pessoa, imitando o jeito de falar de um policial da Rota, mas se dizendo da Delegacia de Policia Civil do RS. Sem falar o distrito e sem se identificar, me perguntou de novo a clássica pergunta destes quadrilheiros:

- Você conversou com uma criança daqui ontem no seu whatsapp?
- Não. Conversei com uma pessoa que está no presídio se passando por uma garota..

O cara ficou mais agressivo ainda, porque essa é a tática deles, se meteu a valentão e desligou. Que atitude policial é essa?  O problema, caros leitores, é que a maioria das pessoas que são vítimas deste golpe não tem o preparo, nem psicológico e nem a informação necessária que um jornalista investigativo ou um policial detetive tem pra lidar com uma pressão deste nível com estratégias elaboradas. 

Ficam desesperados e não percebem os erros em série de procedimentos que estes meliantes comentem. Não vou detalhar aqui estes erros crassos, porque seria dar um curso pra estes golpistas melhorarem sua tática e abordagem. Mas eles já sabem que eu descobri o que estão fazendo.

Como já disse antes, em 2021, a polícia do RS desbaratou essa quadrilha. Mas não se acaba totalmente, porque mesmo presos, por algum motivo conseguem agir de dentro das prisões. Atualmente este tipo de crime se atualizou no método com algumas diferenças dos golpes até 2021, expandindo e buscando perfis de outras regiões do país, e segundo informações da Polícia Civil, recebem denúncias até do exterior.

O assessor me passou um link do site da PC para ter acesso a uma série de orientações contra esse tipo e outros golpes, que podemos baixar em pdf.

Acessei, vi orientações para recuperar rede sociais hackeadas, contra o golpe do Pix, BO online, mas não achei nada referente a esse tipo de golpe. Uma dica é os paraibanos a acessarem o site da PC da Paraíba.

Questionei  a Comunicação Social da PC do RS, que ainda esse tipo de golpe era difícil de ser denunciado, porque a vítima também pensaria que está supostamente incorrendo em um crime e ficaria com medo, sem pensar que não há nenhuma garota do outro lado. O assessor então, só me disse que poderia ser enviada de forma anônima. Não sei se funciona, mas ok.

Pra finalizar, é importante ficar atento aos sinais, escutem sua consciência, porque este tipo de golpe é pesado e os dissabores são grandes. Eu arrisquei para escrever uma matéria, e enviei imagens e texto sabendo que não existe garota nenhuma do outro lado. São golpistas.

O padrão do Golpe dos Nudes inclui a busca por perfis mais velhos, "elas" cedem o número do whatsapp primeiro, enviam imagens primeiro, tem semelhanças nos perfis, uma era confeiteira com 15 anos de idade, e a outra era filha de 16 anos de mãe confeiteira, tem poucos amigos no facebook, sempre fotos de shortinhos, e na frente do espelho também, com pouquíssimas atualizações no conteúdo do perfil. E se for do Rio Grande do Sul, mais cuidadoainda, porque é certeza do Golpe dos Nudes!

Nunca mande imagens suas, nem vídeos e cuidado com as palavras. Sempre. Essa parte é bem complicada, porque "elas" é quem assumem a iniciativa de iniciar uma conversa mais quente e mandar imagens. É golpe. 

Outra coisa, se a pessoa quiser saber se a moça tem idade legal e compatível, no meio da conversa, faça uma chamada de vídeo pra ver se ela atende e aparece. É ai que se mata a charada. Na regra, não atende e sai da conversa, justificando sempre que alguém apareceu na hora.

Meninas novas não procuram homens mais velhos no Facebook ou qualquer outra rede social. São homens maldosos que justificam seus crimes num suposto agir em defesa das meninas e adolescente. 

Balela. Caô dos grandes. Não existe o perfil que se mostrou nas redes, Não existe garotas ou meninas. Só bandidos.

Pra quem quiser denunciar o Golpe do Nudes, os contatos da Polícia Civil da Paraíba é:

Delegacia Online — Polícia Civil (policiacivil.pb.gov.br)

Telefone para denúncias: 197

Central de Polícia no Viaduto do Geisel

Polícia Civil do Rio Grande do Sul:

Telefone para denúncias: 197

whatsapp: 51 98444-0606

Ou procure a Polícia Cívil de sua cidade.



Não gosto da câmera lenta nos filmes. Não é real. A vida é muito rápida e não entendo porque os diretores colocam o efeito de lenta nos filmes. A vida, tal qual uma correnteza, flui implacavelmente, sem pausas para contemplações artificiais. O relógio não concede clemência, cada segundo passa sem misericórdia, impiedoso. No mundo real, tudo acontece com uma urgência palpável, onde as emoções surgem e se desvanecem com a rapidez de um piscar de olhos.

Por que, então, insistir em retardar a velocidade da vida com o artifício da câmera lenta? Os filmes tentam capturar a profundidade dos momentos, alongando olhares, sorrisos, e gestos que, na realidade, são fugazes. A câmera lenta parece um esforço desesperado para dar peso ao que é leve, para prolongar o efêmero. Na vida cotidiana, as despedidas são rápidas, os abraços são breves, e as oportunidades, passageiras. Nada espera, tudo se move com uma pressa insaciável.

Assistir a um filme onde cada movimento é esticado, onde as ações são desmembradas em fragmentos lentos, é frustrante. A vida não tem paciência para tais luxos. Cada decisão, cada passo, é tomado com a urgência do agora, sem espaço para revisitar o momento em câmera lenta. Os filmes que utilizam esse efeito parecem desconectados da realidade frenética que vivemos. Eles distorcem o ritmo natural do tempo, criando uma ilusão de permanência que não existe.

A câmera lenta nos filmes me parece uma traição à verdadeira natureza do tempo. Ela tenta impor uma reflexão forçada onde deveria haver apenas a fluidez do instante. Na busca de uma profundidade estética, os diretores esquecem que a verdadeira beleza da vida reside em sua impermanência, em sua velocidade. A realidade não se desenrola com a lentidão de uma cena cinematográfica; ela avança implacavelmente, como um rio caudaloso.

A câmera lenta não respeita o ritmo implacável da vida. Ela é um artifício que tenta fixar o que é, por natureza, inconstante. Na pressa do cotidiano, encontramos a essência da existência: cada momento é precioso precisamente porque é breve, porque não podemos segurá-lo, porque ele escapa entre os dedos como areia fina.

Transformar o efêmero em duradouro através da lente de uma câmera despreza a verdade de que a vida não é uma sequência de quadros estendidos; é uma sucessão rápida de momentos que nos desafia a acompanhar seu ritmo. A câmera lenta, ao tentar capturar a eternidade de um instante, falha em compreender a verdadeira natureza do tempo. E, assim, na busca pelo que é de fato, a rejeito, preferindo a velocidade sincera da vida real.

Reprodução/Internet

Depois das derrotas do Governo Lula no Congresso sobre temas da pauta de costumes, a oposição bolsonarista percebeu que o caminho para anular o poder de voto dos candidatos governistas nos municípios é colocar esse governo em conflito com suas bases e o eleitorado conservador, principalmente entre os cristãos. Um exemplo claro e forte desta estratégia é o projeto de lei 1904/24.

A proposta de lei 1904/24, apresentada pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), representa um exemplo clássico de conservadorismo retórico, uma manobra destinada a atender interesses eleitorais à custa dos direitos humanos e da saúde das mulheres. Este projeto de lei, que compara o aborto a homicídio, não é apenas um retrocesso jurídico e social, mas também um ataque direto às conquistas fundamentais das mulheres brasileiras.

A apresentação dessa lei em um ano de eleições municipais é uma demonstração clara do oportunismo político da extrema direita. Ao mirar os eleitores evangélicos, cristãos e conservadores, Cavalcante tenta angariar apoio de uma base específica, prejudicando deliberadamente o PT, (criando conflitos na base eleitoral) e o governo progressista do presidente Lula no pleito. Este movimento calculado não visa o bem-estar da sociedade, mas sim a consolidação de um poder baseado no conservadorismo da extrema direita e na manipulação de valores morais com fins políticos.

Diferença Fundamental entre Aborto e Homicídio

É uma excrescência comparar aborto ao homicídio, e essa comparação revela uma profunda falta de compreensão sobre os direitos reprodutivos das mulheres e a complexidade das questões envolvidas.

O homicídio é a interrupção ilegal da vida de uma pessoa já nascida e reconhecida como um indivíduo com direitos completos sob a lei. Já o aborto é a interrupção de uma gravidez, que envolve o corpo e a saúde da mulher que está gestando. Essa distinção é crucial porque, no caso do aborto, estamos tratando de uma questão que envolve a autonomia corporal da mulher e seu direito de decidir sobre seu próprio corpo e saúde.

Comparar aborto a homicídio é uma negação dos direitos reprodutivos das mulheres, que incluem o direito de decidir se, quando e sob quais circunstâncias ter filhos. Isso é um componente essencial da autonomia pessoal e da igualdade de gênero. Forçar uma mulher a levar adiante uma gravidez indesejada é uma forma de controle estatal sobre o corpo feminino, violando direitos fundamentais.

Contramão dos Direitos Humanos Internacionais

Internacionalmente, essa proposta de lei coloca o Brasil na contramão da história e do progresso. Organizações como a ONU e diversos países europeus já condenaram esse tipo de legislação, que desrespeita os direitos reprodutivos das mulheres e ignora os avanços globais em matéria de saúde pública e direitos humanos. Ao insistir em uma agenda retrógrada, Sóstenes Cavalcante não só ignora as evidências científicas e as recomendações internacionais, mas também coloca o Brasil em uma posição vergonhosa perante a comunidade internacional.

Países com legislações mais progressistas sobre o aborto geralmente têm melhores resultados de saúde materna e maior igualdade de gênero. Equiparar o aborto ao homicídio vai na contramão desses avanços e coloca o Brasil em uma posição retrógrada em relação aos direitos das mulheres.

Consequências Sociais e Psicológicas e para a Saúde Pública

A criminalização do aborto tem graves consequências psicológicas e sociais. Mulheres que são forçadas a levar adiante uma gravidez indesejada podem sofrer danos psicológicos significativos, além de enfrentar estigmatização social, ameaça de prisão e dificuldades econômicas. Isso afeta não apenas as mulheres, mas também suas famílias e comunidades.

Comparar o aborto ao homicídio é uma excrescência porque simplifica uma questão complexa, além de ignorar os direitos e a autonomia das mulheres, perpetua uma agenda política conservadora que prejudica a saúde e a igualdade de gênero. Em vez de avançar políticas que respeitem e protejam os direitos das mulheres, essa comparação serve apenas para perpetuar um ciclo de opressão e desigualdade. A sociedade brasileira deve resistir a essas tentativas de retrocesso e continuar lutando por um futuro onde os direitos reprodutivos e a autonomia das mulheres sejam plenamente respeitados.

As consequências dessa lei para meninas e mulheres estupradas que engravidarem são gravíssimas e inaceitáveis. Primeiramente, a proibição do aborto em casos de estupro força vítimas a carregarem uma gravidez indesejada, causando traumas psicológicos severos e perpetuando um ciclo de violência. Além disso, a criminalização do aborto coloca essas mulheres em situações de risco, levando muitas a recorrerem a métodos inseguros e clandestinos, com altos índices de mortalidade materna. O impacto na saúde física e mental dessas mulheres é devastador, comprometendo suas vidas e violando seu direito à dignidade.

Reação em cadeia, não na cadeia

A reação da sociedade civil e das mulheres, que já começam a tomar as ruas em protesto, é um reflexo da indignação e resistência contra essa barbárie. Movimentos feministas, organizações de direitos humanos e cidadãos conscientes se unem para combater essa legislação absurda e defender os direitos das mulheres. As manifestações são uma demonstração poderosa de que a sociedade brasileira não aceitará passivamente a retirada de direitos fundamentais e continuará a lutar por um país mais justo e igualitário.

A articulação do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, para votar a urgência dessa lei só reforça a conivência/cumplicidade com esse ataque aos direitos das mulheres. Lira, ao priorizar essa pauta, demonstra uma clara aliança com o conservadorismo extremo e uma total falta de compromisso com a justiça social e os direitos humanos. A postura de Lira é, no mínimo, canalha e preocupante, pois coloca interesses políticos pessoais acima do bem-estar da população feminina do Brasil.

Em resumo, o Projeto de Lei 1904/24 é uma afronta aos direitos das mulheres e um grave retrocesso social. É crucial que a sociedade continue a se mobilizar contra essa proposta, defendendo um Brasil onde os direitos reprodutivos e a dignidade humana sejam plenamente respeitados.