EFRAIM, O BOLSONARISMO E A POLÍTICA DO DINHEIRO PÚBLICO

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“Foi apenas um aniversário”, disse Efraim Filho ao explicar a fotografia em que aparece ao lado do advogado Willer Tomaz, citado nas investigações do caso do INSS. A frase pode explicar a fotografia, mas não explica a política. E é justamente aí que está o debate.

Efraim escolheu seu campo. É senador pelo PL, legenda do bolsonarismo, e lançou-se candidato ao Governo da Paraíba com o apoio de figuras como Flávio Bolsonaro. Essa escolha política permite ao eleitor perguntar não apenas quem estava numa festa, mas que projeto de poder está sendo oferecido à Paraíba.

O debate é especialmente importante quando se observa a relação da política brasileira com o dinheiro público. Emendas parlamentares se transformaram em uma das principais moedas de poder do Congresso, enquanto investigações recentes continuam revelando suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos. O problema não é exclusivo de um partido, mas é impossível ignorar a presença recorrente de figuras do bolsonarismo e do Centrão nesses episódios.

É aí que aparece uma contradição que precisa ser enfrentada: para o cidadão pobre, a receita apresentada muitas vezes é a meritocracia — trabalhar mais, estudar mais e vencer pelo próprio esforço. Para a política profissional, entretanto, existe uma disputa permanente por emendas, verbas públicas, cargos e influência.

Que meritocracia é essa?

A Paraíba é um estado que ainda precisa de políticas públicas para reduzir desigualdades, ampliar o acesso à educação e à saúde, gerar oportunidades e permitir que milhares de jovens tenham condições reais de construir um futuro. Não existe meritocracia quando pessoas começam a vida em condições completamente diferentes. Antes de cobrar mérito, é preciso garantir oportunidade.

E é justamente nesse ponto que o discurso bolsonarista entra em choque com a realidade de um estado pobre e desigual. Políticas sociais não são privilégios. São instrumentos para que o cidadão possa estudar, trabalhar, empreender e conquistar autonomia.

O problema, portanto, não é simplesmente Efraim ter aparecido em uma fotografia. Ele tem todo o direito de escolher seus aliados. Mas, ao escolher o PL e o campo bolsonarista, precisa também responder pelo projeto político que representa, explicar todas as emendas que encaminhadas por ele, explicar porque suas companhias preferenciais são investigadas em crimes graves contra o erário.

A Paraíba precisa discutir se quer um Estado comprometido com redução das desigualdades, políticas sociais e desenvolvimento ou se aceitará uma política baseada na guerra cultural, no preconceito, no discurso de meritocracia para os pobres e, ao mesmo tempo, na disputa permanente pelos recursos públicos, melhor dizendo, apropriação do dinheiro público e dos aposentados

Em tese, uma fotografia dura um instante, não é o caso desta.

O voto do eleitor, porém, podem definir o futuro de um estado inteiro.

O eleitor escolhe se quer ser governado pela corrupção ou pelo desenvolvimento e justiça social.

Eli Mariotti