O PROTESTO QUE BUSCA PROJETO DE PODER E NÃO O FIM DA CORRUPÇÃO. A VOLTA DO FEBEAPÁ. 210 MIL PESSOAS VÃO PARA A AVENIDA PAULISTA, SEGUNDO O DATAFOLHA


Não se deve deixar de notar que 95% das faixas do protesto só propunham o impeachment de Dilma e mostravam frases contra o PT. Pouquíssimas eram as frases contra a corrupção em todos os níveis e todos os partidos.

Frases que propunham rupturas institucionais e ataques ao regime democrático, apologia criminosas e anticonstitucionais foram apresentadas sem a menor ação das forças de segurança ou mesmo abertura de investigações, processos, etc.

Um protesto que mostra este grau de articulação, com esse conteúdo reacionário e facista não buscam realmente as reinvidicações que querem mostrar, mas estão simplesmente disputando o Estado, disputando o poder, principalmente com as alusões claras a intervenção militar, o que é uma óbvia tentativa de reverter o processo democrático consolidado nas urnas.

Vestir os protestos com as cores nacionais neste contexto anti-democrático e em grande desrespeito a vontade majoritária do povo brasileiro, pouco tem a ver com o legítimo sentimento de amor e defesa de um país, pouco tem a ver com o verdadeiro nacionalismo.

O caráter fascista das manifestações de ontem, e que espalharam imagens constrangedoras, como os pedidos de intervenção militar, o incêndio a uma sede do PT e as imagens de Dilma e Lula enforcados, fizeram coro com gente carregando suásticas nazista em meio a cartazes que expressavam puro ódio e violência.

O especialista em cultura árabe, Plínio Zúnica, defende que é um erro grande da esquerda achar que esse é um movimento feito só pela elite. “A ideologia é da elite, os interesses são da elite, o dinheiro é da elite, os porta-vozes são da pior das elites, mas essa ideologia é ardilosa o suficiente pra infectar as mentes de todas as camadas sociais".

E ainda, segundo Plínio Zúnica, na maior parte da classe média paulistana, cuja maioria alçou esta condição no governo do PT, mas que estava nos protestos de ontem, falam de uma corrupção que não sabem o que é, não sabem diferenciar o que é uma presidenta da Republica do que é uma rainha absolutista, não fazem ideia do que são as atribuições de cada esfera do governo. Gente que não conhece história, que não sabe o que foi o Collor, que não sabe o que foi a ditadura, que não sabe o que foi a era FHC, que não entende os programas mais simples e básicos do governo do PT. Gente botando a culpa até dos serviços de telefone nas costas da Dilma.

Ou seja, parafraseando décadas depois, o Stanislaw Ponte Preta, personagem do saudoso cronista Sérgio Porto, estamos presenciando o retorno massacrante do FEBEAPA, que quer dizer, o Festival de Besteiras que Assola o País.

Na época era a ditadura, hoje é a época de pretensos idiotas saudosos desta ditadura.

Será que o Amor mobilizaria tantas pessoas quanto o òdio, o preconceito e a ignorância mobilizou ontem?

Ontem com certeza foi um dia muito triste para a maioria dos brasileiros.

Apesar disto, 290 mil pessoas na avenida Paulista segundo o Datafolha e uma média de 5.000 a 20.000 em algumas outras capitais sairam de suas casas para protestar. Não dá jamais para afirmar que houve uma expressiva representativade do povo brasileiro nestes protestos.

Nem pensar.

Só estiveram mobilizados eleitores que não votam e nunca votarão no PT, Lula e Dilma e a minoria de idiotas facistas que clamam pela volta da ditadura militar.

Mas já é mais do que claro e perceptível de que a chefe de Estado Dilma Roussef e o Partido dos Trabalhadores precisam decidir qual rumo irão tomar diante do tamanho destes protestos. Isso não dá para desconsiderar. Setores das camadas médias colocaram como principal objetivo a derrubada de um governo legitimamente eleito.

Mesmo assim, as oposições terão que ter mais cuidado, ao usar esses protestos em seu favor. Porque todos estes evento provocados e manipulados por grupos da chamada elite branca, setores da oposição e minorias facistas, mostram que criaram um tigre no quintal de casa.

E mais ainda, se a oposição não criar uma agenda propositiva para acabar com a corrupção no país, independente de partido ou governo, sem focar única e exclusivamente a disputa de poder, o feitiço virará contra o feiticeiro abrindo caminho para uma grave crise institucional e então a minoria facista pode conseguir a justificativa que procura para impor a intervenção militar.

Mas preparem-se:

Está chegando aí a lista do HSBC. E isso é assunto para a próxima matéria.