
Na política, existem decisões que elegem governos e outras que definem o rumo deles. A escolha do candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Lucas Ribeiro (PP) pertence à segunda categoria. Não se trata apenas de preencher um espaço na fotografia da campanha. Trata-se de definir qual projeto político terá maior capacidade de sustentação até 2030.
E, sob esse ponto de vista, há uma conclusão clara: a vaga de vice-governador deve ser do Partido dos Trabalhadores.
Essa não é apenas uma questão de prestígio partidário. É uma decisão estratégica para o próprio grupo governista.
O Republicanos é, sem dúvida, um dos maiores partidos da Paraíba. Possui forte bancada na Assembleia Legislativa, grande número de prefeitos, vereadores e uma liderança nacional consolidada com Hugo Motta na presidência da Câmara dos Deputados.
Justamente por isso, o Republicanos não depende da vice-governadoria para continuar sendo protagonista.
O mesmo não pode ser dito do PT.
Embora seja o partido do presidente Lula e governe o Brasil, o PT paraibano ainda não ocupa, dentro da estrutura estadual, um espaço equivalente ao peso político que possui nacionalmente. Entregar-lhe a vice-governadoria seria muito mais do que contemplar um aliado. Seria integrar definitivamente os dois principais níveis de poder que hoje caminham na mesma direção: o Governo Federal e o Governo da Paraíba.
Essa aproximação teria efeitos concretos.
A Paraíba tem forte dependência dos investimentos federais em infraestrutura, habitação, saúde, educação, mobilidade e desenvolvimento regional. Ter o partido do presidente compondo oficialmente a chapa majoritária fortalece o diálogo institucional, amplia a capacidade de articulação política em Brasília e cria um ambiente de maior estabilidade entre os governos estadual e federal.
Num país de presidencialismo de coalizão, isso faz diferença.
Há outro aspecto pouco observado.
As eleições de 2026 não serão vencidas apenas no interior ou apenas nas grandes cidades. Elas serão decididas pela soma de diferentes eleitorados.
O PP possui tem capilaridade administrativa, já que herda o governo de João Azevedo (PSB), prestigiado no estado por obras e outras políticas públicas.
Portanto, O PSB conserva a herança política da gestão João Azevêdo.
O Republicanos mantém uma das maiores estruturas municipais do Estado.
Mas é o PT que agrega um eleitorado altamente identificado com Lula, especialmente nas periferias urbanas, entre os movimentos feministas, no eleitorado feminino, nos setoriais de diversidade, movimentos sociais, sindicatos, agricultura familiar, juventude universitária e setores populares que historicamente acompanham o projeto nacional petista.
Em outras palavras: o PT amplia a frente eleitoral sem disputar o mesmo eleitor dos demais partidos da base.
É um ganho líquido e certo.
Existe ainda um componente simbólico.
A política brasileira atravessa um período de crescente polarização. Em vários estados, partidos de centro têm buscado aproximação com o governo federal justamente para reduzir conflitos institucionais e ampliar investimentos.
Na Paraíba, colocar o PT na vice-governadoria seria transformar essa aproximação em compromisso político permanente.
Seria uma demonstração de maturidade da aliança.
Também seria um reconhecimento.
Desde o início das articulações, o PT manifestou disposição de permanecer ao lado do projeto liderado por João Azevedo e agora por Lucas Ribeiro. Não fez oposição ao governo estadual, participou das principais votações de interesse da gestão, na convenção partidária consolidou apoio a chapa da situação e tem construído uma relação de estabilidade política que merece reciprocidade.
A vice-governadoria seria esse reconhecimento.
Naturalmente, há quem argumente que o Republicanos tem tamanho suficiente para reivindicar legitimamente essa indicação.
Mas exatamente por ser um partido grande, consolidado e com enorme influência institucional, o Republicanos continuará forte qualquer que seja a composição da chapa.
O PT, por outro lado, transforma a vice em um ativo político capaz de fortalecer toda a coligação. A escolha deixa de ser uma compensação partidária para se tornar uma decisão eleitoral.
Se Lucas Ribeiro pretende construir uma candidatura ampla, competitiva e capaz de unir o centro político ao campo progressista, dificilmente encontrará um gesto mais eficiente do que entregar ao PT a vaga de vice-governador.
Porque, no fim das contas, a pergunta não é qual partido merece mais a vaga.
A pergunta é qual escolha torna a chapa mais forte.
E hoje, olhando o cenário estadual, nacional e eleitoral, a resposta parece evidente.
Uma chapa com PP e PT representa muito mais do que uma composição de partidos. Representa a união entre a força administrativa da Paraíba e a força política do Governo Federal.
E isso pode ser decisivo nas urnas e, principalmente, na governabilidade dos próximos quatro anos.
Eli Mariotti
Eli Mariotti